- Um dos principais suspeitos de tortura na esquadra da PSP do Rato declarou ao Ministério Público existir uma cultura interna de agressões a detidos.
- Guilherme Leme afirmou ter sido instruído por colegas mais velhos a aplicar um determinado “tratamento” a arguidos quando começou a trabalhar na polícia.
- Questionada pela advogada, a procuradora听 não foi, mas o agente disse que os comportamentos poderiam ser habituais e até instigados por superiores.
- Guilherme Leme e Óscar Borges foram os primeiros agentes detidos na investigação do DIAP e já foram pronunciados para julgamento; o Ministério Público avançou com mais duas operações envolvendo dezenas de agentes.
- Vítimas descreveram horas de terror na esquadra do Rato, sendo que muitas não apresentaram queixa por medo de represálias.
A Esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, está no centro de investigações que já resultaram em detenções por suspeita de tortura, abuso de poder e outros crimes. Um dos principais suspeitos, Guilherme Leme, afirmou ao Ministério Público que existe uma cultura interna de agressões a determinados detidos. A denúncia foi publicada pela revista Sábado.
Segundo o depoimento, Leme revelou ter sido instruído no início da carreira por colegas mais antigos a aplicar um tratamento específico a alguns arguidos. A resposta surgiu numa sessão de perguntas da advogada do agente, e não de uma procuradora.
Guilherme Leme e Óscar Borges foram os primeiros agentes da PSP detidos na investigação do DIAP de Lisboa. Ambos já estão pronunciados para julgamento, segundo o MP. A polícia continua a colaborar com a investigação.
Entretanto, o Ministério Público revelou novas operações. Em março, sete agentes da PSP foram colocados em prisão preventiva. No início deste mês, quatro agentes foram transferidos para cadeia, e dois ficaram com funções suspensas.
As autoridades recolhem depoimentos das vítimas, que descrevem horas de teror e crueldade dentro da esquadra do Rato. Muitos agentes disseram temer represálias, o que pode ter contribuído para a ausência de queixas formais.
As investigações envolvem também indicios sobre a participação de outros profissionais e a eventual cooperação de superiores na prática de agressões. A Procuradoria tem mantido a operação em segredo até ao momento, sem divulgar nomes adicionais.
A defesa dos agentes tem contestado a extensão das acusações, destacando a presunção de inocência. O DIAP continua a recolher provas e a ouvir testemunhas para esclarecer a dinâmica de operações dentro da esquadra.
Entre na conversa da comunidade