- A Polícia Judiciária deteve oito suspeitos (cinco homens e três mulheres) ligados a uma burla associada a casas compradas no âmbito do programa dos vistos gold.
- A investigação, iniciada a partir de queixas em julho de 2025 de cidadãos estrangeiros com Autorização de Residência por Investimento em Portugal, aponta para venda fraudulenta de imóveis devolutos em Cascais, Sintra e Amadora, em nome dos proprietários.
- Os défices envolviam documentação falsa (identidades, procurações e comprovativos de pagamento) utilizada por advogados para autenticação, permitindo o registo predial online em nome de compradores inexistentes.
- Após a aquisição, as casas eram com frequência devolvidas ao mercado a preço abaixo do valor de mercado, com troca de fechaduras, e vendidos a investidores ou mediadores imobiliários. O circuito de capitais envolvia venda de viaturas de luxo e transferências entre contas de várias empresas ligadas aos arguidos.
- Até ao momento, já foram recuperados diversos imóveis e saldos bancários de cerca de 1,5 milhões de euros; os suspeitos, com idades entre 26 e 62 anos, vão ser apresentados a primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação.
Oito detidos pela Polícia Judiciária estão acusados de uma burla ligada a imóveis adquiridos no âmbito do programa dos vistos gold. Os crimes envolvem casas devolutas de estrangeiros vendidas sem consentimento, com documentos falsos e troca de fechaduras. A operação ocorreu nesta terça-feira, em várias zonas da região de Lisboa.
A investigação começou a partir de denuncias de julho de 2025, apresentadas por detentores de Autorizações de Residência por Investimento em Portugal. Estas pessoas afirmaram que as suas casas, adquiridas mas não habitadas, foram vendidas fraudulentamente a terceiros.
Os inspetores, que remontam ao menos até 2016, identificaram uma rede que chegou a lesar uma dezena de titulares. Os contratos de venda eram assinados com documentação falsa, incluindo identidades e procurações, bem como comprovativos de pagamento.
Segundo a PJ, a documentação era autenticada por advogados e solicitadores, que procediam ao registo predial online, passando a propriedade para compradores com identidades falsas ou inexistentes. Seguidamente, as casas tinham as fechaduras trocadas e eram colocadas no mercado abaixo do preço para venda rápida.
Para financiar o esquema, os burlões realizavam operações de circulação de capitais complexas, usando a compra e venda de viaturas de luxo e transferências entre contas abertas em empresas relacionadas aos arguidos.
Até ao momento, a investigação já permitiu recuperar vários imóveis e apreender saldos bancários estimados em 1,5 milhões de euros. Os suspeitos, com idades entre 26 e 62 anos, serão apresentados a primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação.
Os bens apreendidos e as informações financeiras continuam a ser alvo de diligências, com foco em esclarecer a totalidade das transações e identificar potenciais cúmplices.
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