- O Quartel da Graça, em Lisboa, continua devoluto após a assinatura, em 2019, de um contrato de concessão com o grupo hoteleiro SANA para transformar o imóvel num hotel de cinco estrelas, com abertura prevista em 2022.
- O projeto previa um investimento de 30 milhões de euros, 120 quartos e uma área de construção superior a 15 mil metros quadrados.
- Quase sete anos depois, as obras não arrancaram e o edifício mantém-se vedado, com sinais de degradação como telhas partidas, janelas danificadas e infiltrações; na última semana a fachada foi cercada por tapume de chapa.
- Segundo o Público, o contrato exige que as obras terminassem em quatro anos e que, até 30 dias depois, fosse apresentado um plano de manutenção; o grupo terá também de pagar ao Estado uma contrapartida anual de cerca de 1,79 milhão de euros, desde 2024.
- A Assembleia da Graça – Parar o Hotel no Quartel envolve moradores que defendem transformar o espaço em centro para a comunidade (cinema, biblioteca, teatro, habitação para estudantes, entre outros) e já recolhem assinaturas para revogar a concessão, com mais de 3.462 signatários até ao momento.
O Quartel da Graça, em Lisboa, era para funcionar como hotel de luxo gerido pelo grupo SANA Hotels, após uma concessão pública assinada em 2019. A inauguração estava prevista para 2022, mas o prédio mantém-se abandonado e vedado ao público.
O monumento é classificado desde 1910 e tem origem no Convento da Graça, fundado no século XIII. Em 1834 passou a funcionar como Quartel da Graça e, nos anos 2000, acolheu serviços da GNR e do Exército, mas acabou por ficar sem uso.
Em 2016, o governo integrou o imóvel no programa Revive, para recuperação do património via investimento turístico. Em 2019, com a DGTF, foi assinado o contrato com a SANA, que previa um hotel de 120 quartos num investimento de 30 milhões de euros e abertura no final de 2022.
Situação atual e controvérsias
Quase sete anos depois, as obras não arrancaram e o espaço permanece devoluto, com infiltrações, azulejos danificados e janelas partidas. Na última semana, a fachada foi vedada com chapa tapume.
Segundo moradores, a placa não contém dados legais nem alvará, levando-os a considerar a vedação uma fachada. O investimento e as condições contratuais estão sob escrutínio.
O jornal Público sinaliza incumprimento do contrato: o prazo de 4 anos para concluir as obras já expirou, e a apresentação de um plano de manutenção tinha de ocorrer 30 dias após o início da exploração.
O grupo SANA não forneceu comentários, alegando tratar-se de matéria contratual. Garantiu, porém, não estar a violar o acordo. Não houve confirmação sobre pagamento de contrapartidas anuais.
A assembleia da Graça, criada em 2024, defende a devolução do espaço à comunidade. Propõe um centro cívico, espaço cultural e alojamento estudantil, entre outros usos viáveis.
Pelo menos 3.462 pessoas já assinaram uma petição para revogar a concessão, que exige 5.000 assinaturas para chegar à Assembleia da República.
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