- O estudo da Associação Portuguesa de Nutrição revela uma literacia alimentar global de 57,5% entre a população adulta residente em Portugal.
- Pessoas idosas, desempregadas e agregados com rendimentos baixos apresentam níveis mais baixos de literacia alimentar.
- A área Consumo registou a pontuação mais baixa, de 54,7%, com dificuldades em entender o impacto social, económico e ambiental das escolhas alimentares.
- Mantém-se a diferença entre saber e saber fazer, com desafios na tradução do conhecimento em decisões diárias de alimentação.
- A análise foi realizada entre 16 e 24 de outubro de 2025, com 1.000 participantes, apoiada pelo Continente e conduzida pela Pitagórica.
A literacia alimentar em Portugal mantém desigualdades relevantes, aponta um estudo da Associação Portuguesa de Nutrição (APN). O relatório analisa o nível de compreensão e aplicação de informação nutricional pela população adulta.
O Estudo Nacional de Avaliação da Literacia Alimentar em Adulto aponta um score global de 57,5%. Apesar do fácil acesso à informação, persiste a dificuldade em transformar o conhecimento em escolhas alimentares equilibradas.
A APN sublinha que jovens adultos, pessoas empregadas e agregados com rendimentos acima da média apresentam níveis mais elevados de literacia alimentar, contrastando com idosos, desempregados e famílias com rendimentos insuficientes.
Desigualdades entre grupos
Distinguem-se diferenças significativas entre grupos etários e económicos, com impacto direto na capacidade de aceder, compreender, avaliar e aplicar o conhecimento sobre alimentação.
A análise revela ainda que, embora haja facilidade em entender rótulos, datas de validade e recomendações, a transposição desse conhecimento para decisões diárias continua a ser um desafio.
Dificuldades aparecem em avaliar selos nutricionais, compreender alegações, identificar alérgenos e escolher alimentos mais equilibrados ou adaptar receitas, conforme a APN.
Consumo e impacto
A área de Consumo surge como a com menor score, 54,7%, indicando dificuldades em perceber o impacto social, económico e ambiental das escolhas alimentares.
Perceber o efeito das opções na biodiversidade e aceder a informação que ajude a alterar hábitos são outros pontos problemáticos identificados pelo estudo.
A APN conclui que é preciso traduzir informação complexa em decisões simples e promover linguagem prática para sustentabilidade alimentar, bem como criar oportunidades e ferramentas para capacitar a população.
O estudo, apoiado pelo Continente e realizado pela Pitagórica, decorreu entre 16 e 24 de outubro de 2025. A amostra foi de 1.000 adultos em Portugal continental e ilhas, com margem de erro de cerca de 3,2% e nível de confiança de 95,5%.
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