- A União Europeia encara a energia nuclear como uma possível fonte complementar para a neutralidade climática, com Ursula von der Leyen a anunciar mobilização de 200 milhões de euros e a UE a reconhecer que a participação da nuclear na produção de eletricidade caiu para perto de quinze por cento, em comparação com quase um terço nos anos noventa.
- Portugal não tem centrais nucleares nem reatores; a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, disse que a energia nuclear não é adequada para o país, defendendo renováveis como opção mais simples e barata sem tecnologia de produção própria.
- Bruno Soares Gonçalves, presidente do IPFN, sustenta que a solução passa pela complementariedade de várias formas de energia, incluindo renováveis, baterias, gás e, em certa medida, nuclear, destacando a necessidade de um Estudo de Custos Totais do Sistema e do planejamento público.
- A Europa avança na fusão nuclear com o Programa de Investigação e Formação da Euratom 2028-2032 e com o projeto ITER; Portugal participa como quinto fornecedor europeu do ITER, com investimento português já celebrado.
- O lapso temporal para ver resultados práticos é estimado entre dez e vinte anos para ter o primeiro protótipo a produzir para a rede, com desafios regulatórios, de investimento e de conhecimento; há apelos por mais investimento em investigação e talento.
Portugal enfrenta o debate sobre a energia nuclear num contexto europeu de busca por descarbonização e maior segurança energética. A União Europeia tem promovido a exploração de nuclear como complemento às renováveis, ao passo que a Comissão pretende investir em investigação nessa área. Europeras analisa o tema junto de especialistas nacionais.
A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, defendeu a nuclear como fonte fiável com emissões reduzidas, durante uma cimeira em Paris. Anunciou um pacote de 200 milhões de euros para apoiar a energia nuclear, numa altura de preocupação com dependência de importações de combustíveis fósseis. A participação da nuclear na produção de eletricidade na UE caiu de cerca de 33% para perto de 15%.
Portugal não produz energia nuclear nem tem reatores. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, já afirmou que a nuclear não é adequada para Portugal, destacando custos elevados sem produção própria e salientando que as renováveis são mais simples e baratas. O tema divide opiniões entre especialistas nacionais.
Contexto técnico e económico
Bruno Soares Gonçalves, presidente do IPFN, diz que a estratégia passa pela complementaridade de várias formas de energia. Renováveis, baterias e gás podem assegurar disponibilidade, mas a solução não é única. Analisa também a dependência da China na produção de painéis solares.
Para o investigador, é necessário um estudo de custos totais do sistema para definir o caminho nacional, não apenas o custo de cada fonte. O Governo já anunciou que este estudo seria feito, procurando ver o país como um todo.
A UE já avançou com investimento em fusão nuclear no programa Euratom 2028-2032. O ITER, em França, ocupa parte central da investigação europeia, com Portugal a tomar parte ativa e a registar contratos relevantes com a indústria. A fusão é apresentada como promessa de energia com menor emissões, mas ainda sem fornecimento comercial.
Perspetivas nacionais e internacionais
O físico português relembra que a tecnologia nuclear exige investimento significativo e tempo de construção. Em comparação, aponta que o custo de instalação das renováveis pode ser menor, porém o custo nivelado de eletricidade não é o único critério a considerar.
Bruno Soares Gonçalves sublinha que a estabilidade da produção é relevante: centrais nucleares podem ter vida útil extensa, o que contrasta com ciclos de renováveis. Acaba por defender que investir em nuclear pode exigir decisões políticas e orçamentais de longo prazo.
Portugal equipara-se a outros países na participação no programa europeu de fusão nuclear. O objetivo é demonstrar viabilidade tecnológica e, futuramente, produzir energia em condições estáveis. O pesquisador acrescenta que há avanços internacionais significativos, com a China a avançar com projetos de grande dimensão.
Observação final
A Euronews procurou comentários do Ministério do Ambiente e Energia, mas não foi possível obter esclarecimentos no momento. A cobertura destaca que o tema continua em aberto, com importância estratégica para Portugal no médio e longo prazo.
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