- Responsáveis da União Europeia e de 15 Estados-membros reuniram-se discretamente com uma delegação talibã em Bruxelas para discutir o regresso de afegãos sem direito a permanecer na UE e acelerar repatrições.
- A reunião decorreu fora de instalações oficiais e foi copresidida pela Suécia, mantendo-se apenas a nível técnico devido ao não reconhecimento do governo talibã desde 2021.
- O foco foi o regresso de migrantes afegãos irregulares que tenham cometido crimes graves ou constituam uma ameaça à segurança; a Comissão não confirmou dados sobre números que enquadrem essas situações.
- A reunião gerou críticas de deputados e organizações da sociedade civil que a veem como excesso de aproximação a um regime autoritário e potencial normalização de contactos com os talibãs.
- Dados da Eurostat indicam baixa eficácia anterior de repatriação de afegãos: apenas 340 dos 14.270 obrigados a deixar o bloco foram efetivamente devolvidos nos primeiros nove meses de 2024; em 2025 entraram mais de 63 mil pedidos de asilo de afegãos na UE.
Oito participantes de instituições da União Europeia reuniram-se de forma discreta com uma delegação talibã em Bruxelas, numa ocasião técnica destinada a discutir o regresso de afegãos sem direito a ficar na UE e a acelerar repatriações. O encontro ocorreu numa cidade fora das instalações oficiais da Comissão e não foi divulgado o local nem os detalhes do horário.
A reunião contou com responsáveis da Comissão Europeia e de 15 Estados-membros, copresidida pela Suécia, país com uma elevada comunidade afegã per capita. O objetivo central foi debater a possibilidade de repatriar migrantes afegãos em situação irregular que cometeram crimes graves ou que possam representar uma ameaça à segurança, segundo um porta-voz da Comissão.
A avaliação pública é de que as autoridades afegãs não aceitam o regresso de muitos desses cidadãos, o que dificulta a aplicação das repatrições. Entre os presentes, destacaram-se críticas de deputados progressistas e de organizações da sociedade civil quanto à legitimidade de manter contactos com o regime talibã, considerado por muitos autoritário e com historial de violações de direitos humanos.
Na prática, a reunião suscitou controvérsia sobre a legitimidade do diálogo com Kabul, dado o não reconhecimento do governo talibã pela UE desde a tomada de poder em 2021. Críticos afirmam que este tipo de encontros pode sinalizar uma normalização indevida das relações com o regime.
Segundo os dados disponíveis, a UE tem procurado intensificar o regresso de migrantes irregulares para reduzir fluxos para os países de origem. Em 2025, o Afeganistão foi uma das principais nacionalidades alvo de ordens de retorno, com poucas efetivas execuções, refletindo dificuldades logísticas e políticas.
As estatísticas indicam que, nos primeiros nove meses de 2025, apenas uma pequena parcela dos afegãos obrigados a deixar a UE foi efectivamente repatriada. Em 2026, as chegadas de afegãos à UE mantêm-se, com milhares a atravessar fronteiras irregularmente e a África do Norte e o Médio Oriente a manterem-se como rotas predominantes.
A ambição da UE de manter contatos com o talibã surge num contexto de pressão para reforçar as readmissões, acompanhada de críticas sobre a viabilidade e a ética de tais abordagens. O tema permanece sob escrutínio de parlamentos nacionais e da sociedade civil, que alertam para riscos de normalização de um regime criticado por violações de direitos humanos.
Alguns críticos reiteram que o Afeganistão não pode ser considerado seguro para regresso, citando agravamento da situação de direitos humanos, ausência de proteção jurídica e risco de perseguição. O tema continua a dividir políticas de migração entre Estados-membros, com posições distintas sobre o diálogo com Kabul.
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