- Marc Bloch é homenageado no Panteão, tornando-se o primeiro historiador universitário a receber esta honra na França.
- A cerimónia acontece às 21h, em Paris, com um caixão simbólico trasladado à antiga igreja do Bairro latino; restos mortais do historiador encontram-se num cemitério no centro de França.
- Durante a cerimónia serão exibidas medalhas, fotografias e cartas da sua mulher aos filhos; Bloch destacou-se pela obra e pelo papel na Resistência.
- Bloch, nascido em 1886 em Lyon, foi historiador e cofundador da revista Annales, autor de L’Étrange Défaite e antifascista que integrou a Resistência francesa.
- O evento ocorre com implicações políticas, após a sugestão de Emmanuel Macron, com cerca de 700 jovens presentes; Marine Le Pen não estará, mas a eurodeputada Sarah Knafo vai marcar presença.
Marc Bloch, historiador francês e figura da Resistência, vai ser homenageado no Panteão. Será o primeiro historiador universitário a integrar este templo republicano, após mais de oito décadas desde a sua morte.
A cerimónia, no Panteão de Paris, celebra o legado intelectual de Bloch e o papel na resistência contra os nazis. O Eliseu descreve-o como um “homem das Luzes no exército da sombra” da Resistência.
A homenagem ocorre esta terça-feira, às 21h, em Paris. Um caixão simbólico será trasladado para a antiga igreja do Bairro Latino, com as medalhas, fotografias e cartas da mulher de Bloch.
Marc Bloch nasceu a 6 de julho de 1886, em Lyon, numa família judia da Alsácia. Foi professor, militar na Primeira Guerra Mundial e recebeu a Cruz de Guerra, além da Legião de Honra.
A carreira académica destacou-se ao cofundar a revista Annales d’histoire économique et sociale, promovendo uma abordagem integrada entre história, antropologia, economia e sociologia.
Com 53 anos, no início da Segunda Guerra Mundial, foi mobilizado novamente. Participou na Batalha do Norte e escreveu L’Étrange Défaite, publicado em 1946, sobre o colapso militar e institucional da França.
Contexto histórico e legado
Após a subida de Pétain ao poder, Bloch perdeu a cátedra na Sorbonne e foi alvo de políticas antissemitas. Com a ocupação alemã, entrou na Resistência em 1943, tornando-se dirigente na região de Lyon.
Em março de 1944, Bloch foi detido pela polícia de Vichy na ponte de la Boucle, hoje ponte Winston-Churchill, e submetido a torturas na prisão de Montluc, sob ordens de Klaus Barbie, o “Carrasco de Lyon”.
No dia 16 de junho de 1944, Bloch foi executado pela Gestapo, aos 58 anos, junto de outros resistentes. A esposa Simonne morreu pouco depois, a 2 de julho de 1944, em Lyon.
Politização da homenagem e participação
A trasladação ao Panteão tem sido defendida por historiadores desde a redescoberta de L’Étrange Défaite, em 1990. A oferta foi feita por Emmanuel Macron, com envolvimento da família e do meio académico.
Caberá a cerca de 700 jovens testemunhar a cerimónia, junto ao Panteão. A iniciação marca Bloch como primeiro universitário historiador a ser intronizado no Panteão.
O evento ganha relevo político pouco antes de eleições presidenciais, num contexto de nervosismo entre forças políticas. O RN de Marine Le Pen não está incluído na lista de presentes, segundo a família.
Sarah Knafo, eurodeputada do partido Reconquête!, confirmou presença, apesar de avisos dos descendentes de Bloch. Zemmour, líder do mesmo movimento, enfrentou condenação judicial anterior por declarações históricas controversas.
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