- Carlos Mazón, ex-presidente da comunidade autónoma de Valência, enviou mensagens a membros do governo num grupo do WhatsApp antes da sessão plenária de manhã das cheias de outubro de 2024, pedindo que informassem sobre cancelamentos de aulas e incidentes em centros de saúde.
- Às 8h17, Mazón escreveu: “Vamos inundar os meios de comunicação com dados hoje, está bem?”, seguido de: “Dá a sensação de estarmos num alerta do caraços”, e “isso acalma as pessoas”.
- Susana Camarero, vice-presidente na altura, testemunhou e entregou as conversas; Salomé Pradas indicou que a tempestade batia com maior intensidade na comarca da Ribera Alta.
- O governo regional demorou a enviar alertas aos residentes durante as inundações de 29 de outubro de 2024, que devastaram Valência e partes da Andaluzia, onde morreram mais de 230 pessoas.
- Mazón enfrentou críticas severas pela gestão da emergência e acabou por se demitir em novembro de 2025, reconhecendo erros na resposta às cheias.
O ex-presidente da região de Valência, Carlos Mazón, enviou várias mensagens a membros do seu governo num grupo de WhatsApp pouco antes da sessão plenária da manhã do dia em que ocorreram cheias devastadoras. O objetivo era, segundo as mensagens, manter o público informado com dados do momento.
As comunicações aparecem numa sequência de mensagens trocadas entre 8h15 e 8h53, antes de a comunidade ser atingida por inundações que fizeram mais de 230 mortos na região em outubro de 2024. A troca envolveu os conselheiros da Educação e da Saúde, José Antonio Rovira e Marciano Gómez, e teve a participação de Mazón.
Susana Camarero, vice-presidente e antiga titular de Serviços Sociais, prestou depoimento à justiça e entregou o conteúdo do grupo. A investigação analisa a gestão da tempestade na comarca da Ribera Alta, onde a tempestade tinha maior impacto naquele momento.
Investigações e depoimentos
Em 8h17, Mazón pediu aos colegas para informar sobre o cancelamento de aulas e possíveis incidentes nos centros de saúde. Ainda nesse dia, afirmou que iria inundar os meios de comunicação com dados, acrescentando que a sensação era de alerta alto que precisava de acalmar a população.
Mais tarde, às 8h53, o ex-presidente chamou a atenção de Salomé Pradas para corrigir um erro numa publicação na rede social X, sem registro de novas intervenções dele no grupo ao longo de todo o dia. A gestão regional tem sido alvo de críticas quanto à rapidez de alerta aos residentes.
Contexto da crise e desfecho
A região de Valência enfrentou cheias graves em outubro de 2024, afetando também partes da Andaluzia. As autoridades foram questionadas sobre o tempo de resposta e a comunicação com a população. O governo regional, descentralizado, é responsável pela coordenação de emergências.
Carlos Mazón, figura do Partido Popular, acabou por se afastar do cargo em novembro de 2025, reconhecendo falhas na resposta à tragédia. O caso continua a ser objeto de investigações e depoimentos de diversos agentes envolvidos na gestão da crise.
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