- Um relatório do Iberifier identificou desinformação relevante nas presidenciais em Portugal e Espanha, entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, incluindo falsas declarações ligadas a Goucha e a Seguro sobre imigração sem restrições.
- Dentre as campanhas previstas, destacou-se a circulação de conteúdos que atribuíram apoios a voto contra o socialismo e propagaram posições sobre imigração e construção de mesquitas, com o objetivo de influenciar a perceção eleitoral.
- O documento aponta ainda desinformação sobre Portugal ser um dos países da UE com menor capacidade de pagar refeições ou com a maior taxa de IVA, visando criar uma imagem negativa do país.
- Também houve conteúdos que alegavam invasões de mercados de Natal na Alemanha por muçulmanos, supostas proibições de termos natalícios e rótulos como “mercados de inverno” para favorecer inclusão.
- O relatório destaca o aumento de fraudes digitais associadas à desinformação, uso de inteligência artificial para criar conteúdos falsos — incluindo casos de Madrido e dossiers ligados a “Epstein files” — e campanhas europeias sobre a UE, menores e censura nas redes.
Durante o período de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, Portugal e Espanha registaram um aumento significativo de desinformação relacionada com as presidenciais portuguesas, segundo o Observatório Ibérico dos Media Digitais (Iberifier). O relatório analisa as principais narrativas manipuladas divulgadas nas plataformas digitais.
Entre os casos destacados, surgem conteúdos falsos que alegavam que o apresentador Manuel Luís Goucha pediu o voto contra o socialismo na segunda volta, e peças que associavam António José Seguro a posições favoráveis à imigração sem restrições e à construção de mais mesquitas. O objetivo seria influenciar perceções eleitorais e gerar desconfiança no processo democrático.
O estudo aponta ainda a disseminação de informação descontextualizada para projetar uma imagem negativa de Portugal face à UE, incluindo alegações de que o país seria um dos que menos consegue pagar uma refeição ou tem uma das maiores taxas de IVA da Europa. A imigração reapareceu como foco recorrente, com vídeos que mostravam supostas invasões de mercados alemães durante o Natal e rumores sobre mudanças terminológicas em mercados natalícios.
Conteúdos manipulados e uso de IA
O relatório sublinha a circulação de conteúdos criados com IA, sobretudo em temas internacionais sensíveis. Um exemplo relevante foi a detenção de Nicolás Maduro, que gerou imagens e vídeos manipulados, incluindo operações militares falsas. O tema manteve-se entre os casos mais recorrentes em Portugal e Espanha.
Fraude digital e desinformação institucional também ganharam peso. Foram identificadas campanhas que imitavam comunicações oficiais, com falsas notificações de multas, de apoio financeiro estatal e de serviços de saúde. A cooperação entre plataformas e entidades públicas foi destacada como crucial para combater este fenómeno.
Panorama europeu e hipóteses de desinformação
A UE foi alvo de conteúdos enganadores, com alegações sobre proibições de uso de redes sociais por menores, acusações de censura e denúncias de penalizações a eurodeputados por discordarem de posições pró-Ucrânia. O Iberifier, financiado pela Comissão Europeia, integra o Observatório Europeu dos Media Digitais (EDMO) e contribui para monitorizar estas tendências.
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