- Os Estados Unidos acusaram formalmente Raúl Castro, antigo presidente cubano, pelo alegado papel no abate de dois aviões do grupo Hermanos al Rescate em 1996, quando ele era ministro da Defesa.
- Raúl Castro, hoje com 94 anos, mantém influência política em Cuba, atuando sobretudo através das Forças Armadas Revolucionárias, apesar de ter deixado a linha de frente.
- Fidel Castro e Raúl lideraram a Revolução Cubana de 1959; Raúl foi ministro da Defesa por quase meio século e consolidou o poder militar do regime.
- Em 2014, conduziu junto de Barack Obama o degelo entre Estados Unidos e Cuba, que incluiu a reabertura de embaixadas; a política foi revertida por Donald Trump, com sanções mais duras.
- A acusação surge num momento de pressão dos EUA sobre Cuba, com foco em sanções económicas, isolamento diplomático e uma possível aceleração de mudanças políticas, com paralelos à situação na Venezuela.
Raúl Castro, antigo presidente de Cuba e irmão de Fidel Castro, volta a estar no centro da atual ofensiva dos Estados Unidos contra o regime cubano. A acusação formal, anunciada recentemente, aponta o seu alegado papel no abate de dois aviões do grupo Hermanos al Rescate, em 1996, quando era ministro da Defesa. A ação acontece numa fase de crescente pressão sobre o regime cubano.
Raúl Castro, de 94 anos, mantém até hoje influência significativa em Cuba, apesar de ter deixado a linha de frente política formalmente. Os irmãos Castro lideraram a Revolução de 1959 que derrubou Batista e instaurou o sistema político atual. Raúl teve sob sua alçada as Forças Armadas Revolucionárias, tornando-se uma figura central do aparato de poder.
A acusação entra num contexto de tensões históricas entre Washington e Havana. Em 2014, Raúl Castro abriu caminho para o desanuvamento diplomático com os EUA, com a gestão de Barack Obama, incluindo a reabertura de embaixadas. Ainda assim, a chegada de Donald Trump endureceu sanções e tensionou novamente as relações.
Perfil institucional e influência
Raúl Castro assumiu a presidência interinamente em 2006 e ficou no cargo até 2018, quando cedeu a tocha a Miguel Díaz-Canel. Durante o mandato, implementou reformas económicas limitadas e reforçou o papel do Partido Comunista. Mesmo após deixar cargos oficiais, analistas indicam que continua a influenciar políticas estratégicas do regime.
Numa linha de continuidade, Díaz-Canel tornou-se o chefe de Estado fora da família Castro, mantendo o poder em conjunto com o partido único. O peso histórico de Raúl permanece, sobretudo pela relação com as Forças Armadas e por manter o controlo sobre setores-chave da economia.
Perspetivas externas e o objetivo político
A atual ofensiva externa parece associar a pressão econômica, o isolamento diplomático e ações judiciais contra figuras de relevo para acelerar uma transição política em Cuba. A acusação de 1996 representa, segundo analistas, uma escalada da pressão que mira o núcleo histórico do castrismo.
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