- O governo venezuelano anunciou a libertação de 300 detidos ao longo desta semana, incluindo idosos, pessoas com problemas de saúde, gestantes e detidos há anos, em um novo processo de libertações.
- O Presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, disse que não há exigência de troca e pediu que se reconheça o gesto, com um apelo à denúncia de crimes contra o erário público por parte de opositores.
- Entre os libertados estão três ex-agentes da antiga Polícia Metropolitana de Caracas, detidos desde 2003, uma adolescente de 16 anos e uma mulher de 71 anos, mãe de um militar envolvido na tentativa de incursão marítima de 2020.
- O anúncio ocorre em meio a críticas após a morte de Víctor Hugo Quero, detido considerado político por organizações de direitos humanos, cuja família procurou informações durante meses.
- Dados de organizações de direitos humanos apontam que, apesar das libertações, centenas de pessoas continuam presas por razões políticas, com a ONG Foro Penal a indicar 454 ainda detidas.
O governo venezuelano anunciou a libertação de 300 detidos ao longo desta semana, incluindo idosos e pessoas com problemas de saúde, entre eles alguns presos considerados políticos. O anúncio coincide com novos protestos e críticas, após a morte de Víctor Hugo Quero.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou, numa sessão em Caracas, que as libertações abrangem homens e mulheres em situação de vulnerabilidade, bem como indivíduos detidos há longos anos. O governante disse que não há contrapartidas envolvidas.
Rodríguez acrescentou que não se exige nada em troca e apelou ao reconhecimento do gesto por parte da oposição. O governo pediu ainda denúncias de crimes contra o erário público para eventuais casos identificados.
Libertações e casos específicos
Entre os libertados estão três ex-funcionários da antiga Polícia Metropolitana de Caracas, presos desde 2003 por ligações a tentativas de golpe em 2002, segundo a ONG Foro Penal. São apontados como alguns dos detidos há mais tempo.
Samantha Hernández Castillo, 16 anos, foi libertada após prisão em novembro, e Merys Torres de Sequea, 71, mãe do militar Antonio Sequea, envolvido na incursão marítima de 2020.
Contexto de protestos e morte de Víctor Hugo Quero
A libertação ocorre numa conjuntura de pressão internacional e críticas internas após a morte de Víctor Hugo Quero, considerado preso político por várias organizações de direitos humanos. A família só tomou conhecimento da morte meses depois.
O governo informou que Quero faleceu em julho de 2025 devido a uma insuficiência respiratória aguda provocada por tromboembolismo pulmonar, após hospitalização por problemas gastrointestinais. A mãe do detido foi à luta durante mais de um ano a exigir provas de vida.
Na sequência, dezenas de estudantes realizaram vigílias em Caracas pela justiça de Quero e de Carmen Navas, mãe do detido. Várias pessoas atribuíram responsabilidades ao Estado pelas mortes sob custódia.
Perspectivas e balanços
A divulgação das libertações surge poucos meses depois de promessas anteriores do governo e num momento de escrutínio internacional. Segundo a Foro Penal, 454 pessoas permanecem detidas por razões políticas na Venezuela.
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