- Portugal condenou o vídeo de Itamar Ben-Gvir, ministro israelita, que mostra ativistas da flotilha Global Sumud em posição humilhante, exigindo a libertação imediata dos cidadãos portugueses detidos.
- Líderes europeus consideraram o comportamento inaceitável, denunciando a violação da dignidade humana e pedindo respeito pelos detidos, incluindo cidadãos de vários países.
- O vídeo mostra ativistas da flotilha a ajoelhar-se com as mãos atadas no porto de Ashdod, após a interrupção da missão humanitária com destino a Gaza; 430 ativistas estavam a bordo.
- O Governo português mantém contacto com as autoridades israelitas para garantir a libertação dos nacionais e pretende apresentar pedidos de esclarecimento numa reunião entre o ministro dos Negócios Estrangeiros e o Encarregado de Negócios de Israel.
- As reacções incluíram críticas de Itália, França, Espanha e Irlanda, com pedidos de libertação e declarações de repúdio, enquanto o primeiro-ministro de Israel e o seu governo também enfrentam contestação pública.
Portugal condena o comportamento do ministro israelita Itamar Ben-Gvir, considerado humilhante pelo Governo e por outros países europeus. A reação ocorreu após a divulgação de um vídeo que mostrava ativistas amarrados e obrigados a ajoelhar-se no porto de Ashdod, durante a operação de desembarque da flotilha Global Sumud.
O Governo português, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, classificou o ato de intolerável e violador da dignidade humana. O MNE indicou que está a manter contactos com as autoridades de Israel para assegurar a libertação imediata dos cidadãos nacionais detidos, incluindo dois médicos portugueses que participavam na flotilha.
O porta-voz do ministério destacou ainda que o Governo reforça a exigência de garantias de proteção para os cidadãos portugueses e que irá exigir esclarecimentos formais. O ministro Paulo Rangel afirmou que irá tratar do tema com o Encarregado de Negócios de Israel numa audiência prevista para esta tarde.
Reações europeias e internacionais
Vários chefes de Governo condenaram o comportamento de Ben-Gvir como inaceitável. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, pediu a libertação urgente de todos os cidadãos italianos presentes e a apresentação de desculpas de Israel. Em Itália, o ministro dos Negócios Estrangeiros ordenou a convocação do embaixador de Israel.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês também convocou o embaixador de Israel em França, sublinhando a necessidade de respeito pela dignidade humana. O chefe da diplomacia espanhola descreveu o tratamento como monstruoso e exigiu desculpas públicas. A Irlanda expressou horror e pediu a libertação imediata dos ativistas ilegalmente detidos, incluindo uma figura associada à família presidencial irlandesa.
O que ocorreu na flotilha Global Sumud
A flotilha partiu da Turquia na semana passada com destino a Gaza, na tentativa de entregar ajuda humanitária. Israel interceptou a frota e organizou operações de desembarque no porto de Ashdod, onde alguns ativistas já teriam chegado e outros permaneciam detidos. O vídeo divulgado pelo ministro Ben-Gvir mostra ativistas com as mãos atadas e de joelhos, sob vigilância de forças de segurança.
Entre os detidos estavam dois médicos portugueses que integravam o grupo. As autoridades israelitas reiteraram que as operações visavam garantir a segurança e o controlo das entradas para Gaza, que permanece sob bloqueio desde 2007.
O episódio gerou uma onda de críticas diplomáticas na União Europeia e fora dela, com governos a pedirem explicações e a exigirem respeito pela dignidade humana. Entidades humanitárias reiteraram a necessidade de facilitar o acesso a ajuda para a população de Gaza, sem comprometer protocolos de proteção.
Entre na conversa da comunidade