- Camponeses e indígenas chegaram à praça Murillo, em La Paz, exigindo a demissão do presidente, após 15 dias de greve e da marcha “Marcha pela Vida para Salvar a Bolívia”.
- Após quase cinco horas de confrontos, as forças de segurança dispersaram os manifestantes com gás lacrimogéneo; a área ficou marcada por pneus em chamas e barricadas.
- Quatro mortos foram registados desde o início dos protestos, incluindo uma cidadã estrangeira de Belize e uma jovem de 20 anos.
- O governo disse que houve assaltos a instituições públicas, incluindo a sede de Direitos Reais, e foram emitidos mandados de detenção contra Mario Argollo (secretário executivo da Central Operária Boliviana) e Justino Apaza Callisaya; a polícia deve executá-los.
- A COB — Central Operária Boliviana — denuncia perseguição judicial e mantém as mobilizações, com Argollo a afirmar que não vão ceder.
Dois a três dias de marcha que mobilizaram camponeses e povos indígenas, a capital boliviana La Paz viveu novos confrontos na quinta-feira. Diversas colunas chegaram a Plaza Murillo, onde fica o Palácio de Governo, com o objetivo declarado de exigir a demissão do presidente. As autoridades mantêm a sede do poder fortemente protegida.
Os confrontos começaram ao final da tarde, com uso de gás lacrimogéneo pela polícia para dispersar os manifestantes. Ao longo de 15 dias de mobilizações, registam-se quatro mortos, segundo balanço oficial. O centro de La Paz ficou marcado por pneus em chamas e barricadas erguidas pelos manifestantes.
Após quase cinco horas de tensões, os ativistas recuaram para El Alto, restabelecendo alguma normalidade na região central. As deslocações levaram a ruas e avenidas com vestígios da violência, incluindo restos de resistência entre forças de segurança e manifestantes.
Detenções e acusações
O governo confirmou assaltos e saques em várias instituições públicas, entre elas a sede de Direitos Reais. Em paralelo, foi emitido um mandado de detenção contra Mario Argollo, secretário executivo da Central Operária Boliviana (COB), principal organizadora da greve. Argollo é acusado de incitação pública ao crime, associação criminosa e terrorismo.
O procurador-geral, Róger Mariaca, indicou que Argollo tem de se apresentar à polícia para ser entregue ao Ministério Público. A COB denunciou perseguição judicial e pediu a continuidade das mobilizações, afirmando que não se deixará intimidar.
Outra ordem de detenção chegou a Justino Apaza Callisaya, dirigente da Federação de Juntas de Vizinhos de La Paz. Ele enfrenta acusações de incitação pública, associação criminosa, terrorismo, financiamento ao terrorismo, atentados a transportes e aos serviços públicos.
Vítimas e contexto
O vice-ministro do Regime Interior e Polícia, Hernán Paredes, confirmou a morte de uma pessoa ligada aos bloqueios em La Paz e El Alto, elevando o número de fatalidades para quatro desde o início dos protestos. A vítima foi descrita como mallku local, que acabou por cair numa valeta criada pelos próprios manifestantes.
A prefeitura de El Alto informou que uma cidadã estrangeira de Belize, com 56 anos, faleceu por problemas de saúde e por não ter sido transportada a tempo para hospital. Outros dois casos já tinham sido reportados, incluindo uma jovem de 20 anos em El Alto.
As autoridades destacam que os protestos mantêm bloqueios em La Paz e El Alto há semanas, com impactos na circulação e nos serviços públicos. A tensão permanece à espera de desdobramentos políticos que determinem o futuro do governo.
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