- Os CTT pretendem reduzir drasticamente os horários dos postos instalados em juntas de freguesia no Algarve, principalmente nas zonas mais envelhecidas e interioranas.
- As juntas que contrataram trabalhadores para assegurar o serviço temem ter de manter os funcionários com verbas significativamente inferiores, pois a comparticipação dos CTT está indexada ao horário praticado.
- A Delegação do Algarve da ANAFRE revelou que o valor pago pelos CTT não cobre os custos do serviço em cerca de 30 juntas de freguesia do Algarve, incluindo salários, água, luz, limpeza e manutenção.
- O presidente da Junta de Boliqueime, Nelson Frazão, afirmou que os CTT querem reduzir o serviço para três horas e meia ou menos, pagando apenas por essas horas.
- A ANAFRE pediu reuniões urgentes com a administração dos CTT, a ANACOM e grupos parlamentares, mas não há solução à vista, com ameaças de protestos caso não haja medidas adequadas.
Os autarcas do Algarve manifestam revolta face à decisão dos CTT de reduzir drásticamente os horários de funcionamento dos postos instalados em juntas de freguesia na região. A medida afeta sobretudo zonas envelhecidas e do interior, aumentando o receio de protestos locais.
Segundo o CM, a maioria das juntas de freguesia contratou trabalhadores para assegurar o serviço postal. Com a redução do tempo de laboração imposta pelos CTT, as autarquias devem manter os funcionários mas recebem verbas muito inferiores, já que a comparticipação dos CTT está indexada ao horário praticado.
Nelson Frazão, coordenador da Delegação do Algarve da ANAFRE, afirma que o valor pago pelos CTT não cobre os custos do serviço em cerca de 30 juntas de freguesia. O montante não cobre salários nem serviços básicos como água, luz, limpeza ou manutenção.
O presidente da Junta de Freguesia de Boliqueime, em Loulé, reforça que os CTT pretendem reduzir o serviço para três horas e meia, ou menos, pagando apenas por esse período, enquanto as despesas permanecem superiores. A posição é partilhada pela delegação regional.
A ANAFRE do Algarve considera que o atendimento postal perde com a medida e acusa a empresa de desvalorizar o papel das freguesias. O órgão afirma que a empresa, com lucros expressivos, não deve colocar o serviço público sob uma lógica puramente de lucro.
A delegação tem defendido que o serviço postal é essencial e não pode ficar dependente da lógica de lucro. Caso não haja ajustes, admite medidas adicionais de protesto ou defesa das populações e da dignidade do poder local.
Reuniões críticas já foram solicitadas com caráter de urgência. Estão previstas reuniões entre a ANAFRE, a administração dos CTT, a ANACOM e grupos parlamentares para tentar uma solução, ainda sem perspetiva clara.
Entre na conversa da comunidade