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Macron inicia digressão africana com visita ao Egito

Macron inicia digressão africana, co-presidindo a cimeira Africa Forward em Nairobi e visitando o Egito, para relançar a influência francesa e consolidar o legado

Presidente francês Emmanuel Macron e primeiro-ministro Sébastien Lecornu, à esquerda, chegam para uma cerimónia no Arco do Triunfo, em Paris, sexta-feira, 8 de maio de 2026
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  • Macron começou a digressão africana com chegada a Alexandria, reunindo-se com o presidente egípcio Abdel Fattah Al-Sissi, inaugurando o campus Senghor e visitando a Cidadela de Qaitbay, para fortalecer relações França-Egito e abordar a crise no Médio Oriente.
  • Em Nairobi, o presidente francês pretende reunir-se com o homólogo queniano, William Ruto, assinar acordos bilaterais e participar numa cimeira Africa Forward com dirigentes africanos e empresários, a primeira num país anglófono.
  • A cimeira Africa Forward foca-se no desenvolvimento económico e investimentos transfronteiriços, sendo o primeiro fórum deste tipo realizado em um país anglófono. Macron pretende avaliar o balanço da política africana da França a um ano do fim do mandato.
  • A digressão termina em Adis Abeba, com encontro com o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, e o presidente da Comissão da União Africana, além de uma reunião com o secretário-geral das Nações Unidas, centrada no reforço da paz e da segurança.
  • O contexto inclui o afastamento gradual da estratégia Françafrique, críticas à influência francesa no Sahel e a ausência de participação de chefes militares de Mali, Burquina Faso e Níger na cimeira, com analistas duvidando de mudanças rápidas nas relações França-África.

Emmanuel Macron iniciou este sábado uma digressão africana para relançar o envolvimento de França no continente, buscando consolidar o legado a um ano do fim do mandato. A visita começou em Alexandria, onde se reuniu com o Presidente egípcio Abdel Fattah Al-Sissi.

A comitiva francesa inaugurou o campus Senghor, apresentado como “campus moderno virado para África”, e visitou a Cidadela de Qaitbay, no local do antigo farol de Alexandria. O objetivo é fortalecer a relação bilateral com o Egito e debater a crise no Médio Oriente, segundo o Eliseu.

Macron pretende ainda lançar uma “coligação marítima” de países não beligerantes para propor uma missão multinacional neutra de segurança, com vista à reabertura do estreito de Hormuz, conforme fonte oficial.

Africa Forward

No Quénia, Macron co-presidirá, na segunda e na terça-feira, a cimeira Africa Forward, reunindo líderes africanos e empresários. Será a primeira ocasião de um fórum deste tipo num país anglófono desde que chegou ao poder, em 2017.

A cimeira tem foco no desenvolvimento económico e nos investimentos transfronteiriços, destacando-se como o primeiro encontro deste tipo num território anglófono. O objetivo é renovar as relações económicas entre França e o continente.

Macron procura consolidar o legado africano da França com reuniões com dirigentes e empresários africanos, em meio a um contexto de crescente influência de potências como a Rússia e a China na região.

Desafios e contexto regional

A digressão ocorre num cenário de deterioração de relações com algumas antigas colónias francófonas e de mudanças estratégicas no Sahel, onde a presença militar francesa foi reduzida. Analistas destacam que o objetivo é afastar a narrativa de “Françafrique” e reforçar parcerias modernas.

Antes da viagem, a França aprovou uma lei que facilita a restituição de obras de arte saqueadas durante o período colonial, indicador de mudanças na política externa. Em termos de segurança, a França tem apontado para uma resposta coordenada com parceiros africanos para paz e estabilidade regional.

Antiga potência dominante na região, França enfrenta críticas sobre o legado colonial e a gestão de crises na África. Diversos especialistas divergem sobre o impacto real da deslocação diplomática de Macron nos equilíbrios regionais.

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