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China aumenta presença na África de língua portuguesa

China reforça a presença económica e tecnológica nos países lusófonos africanos, usando Macau como ponte para Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe

O então Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, com o Presidente chinês, Xi Jinping, durante uma viagem de Estado à China
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  • Um estudo da Universidade de Georgetown e do Digital Economist mostra a China a usar Macau como ponte para ligar-se a Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.
  • A presença chinesa nesses países envolve maior envolvimento económico e tecnológico, impulsionada pela fragilidade económica e pela busca de alternativas às ligações com o Ocidente.
  • Em Cabo Verde, a China foca-se em turismo, tecnologias de informação e comunicação, com projetos como cabos submarinos de fibra ótica pela Huawei para transformar o país num hub digital regional.
  • Na Guiné-Bissau, os investimentos concentram-se na agricultura, energia e telecomunicações, com acordos da Huawei e adesão à Nova Rota da Seda; em 2024 foi reforçada a parceria estratégica com a China.
  • Em São Tomé e Príncipe, a cooperação foca em tecnologias, energia, portos e agricultura, após a rescisão de relações com Taiwan em 2016, com o país a ser visto pela China como “Qatar do Golfo da Guiné”.

A China aumenta a presença económica e tecnológica na África de língua portuguesa, com Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe a emergirem como pontos-chave. Um estudo conjunto da Universidade de Georgetown e do think tank The Digital Economist analisa o papel de Macau como ponte diplomática e cultural entre Pequim e estes países.

O relatório descreve uma relação marcada pela fragilidade económica e política dos Estados africanos, aliada a uma estratégia de diversificação de relações fora do Ocidente. A China tem acumulado investimentos que contemplam tecnologias avançadas, vigilância e infra-estruturas digitais, consolidando uma penetração de mercado nestes países.

Segundo os autores, a ligação com Macau facilita o acesso a redes culturais, comerciais e governamentais, tornando-se um canal relevante para o expandir de investimentos chineses. A narrativa internacional associada a este movimento envolve também uma história de cooperação com camaradas políticos no passado.

Cabo Verde

Em Cabo Verde, a aposta central recai sobre o turismo, as tecnologias de informação e a conectividade. A Huawei tem desenvolvido cabos submarinos de fibra óptica e projetos para posicionar o arquipélago como hub digital regional. O estudo destaca que o investimento externo tem atenuado fragilidades económicas e diversificação de recursos.

Guiné-Bissau

Na Guiné-Bissau, a China tem direcionado investimentos para a agricultura, a produção de caju, energia e telecomunicações. A rede de acordos envolvendo a Huawei é mencionada como parte de um lote de iniciativas que acompanham a adesão à Nova Rota da Seda em 2021 e à transformação bilateral para uma parceria estratégica em 2024.

São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe, que cortou relações com Taiwan em 2016, tem visto acordos com a China em TIC, energia, portuário e agricultura. A posição geográfica privilegiada alimenta a percepção de Pequim de que o arquipélago pode atuar como polo estratégico no Golfo da Guiné. A narrativa descreve o país como exemplo de cooperação tecnológica e infra-estruturas de base.

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