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O que sabemos sobre alegações virais de execuções de manifestantes iranianas

Verificação aponta que apenas uma das oito mulheres foi condenada à morte; as demais têm informações limitadas sobre o estado dos seus processos

Uma mulher atravessa uma rua em Teerão, no Irão, quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026. (AP Photo/Vahid Salemi)
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  • No fim de semana passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, partilhou uma imagem de oito mulheres iranianas que alegou terem sido condenadas à morte, pedindo libertação.
  • A agência Mizan, próxima do poder judicial do Irão, afirmou que nenhuma das mulheres foi condenada à morte e que algumas tinham sido libertadas, enquanto outras enfrentavam acusações que poderiam resultar em prisão.
  • Segundo Iran Human Rights (organização independente), apenas uma das mulheres retratadas foi condenada à morte: Bita Hemmati, processada por ataques contra membros do Corpo de Guards Revolucionários Iranianos e por ações protestantes; a acusação baseia-se em confissões forçadas, conforme a HRA.
  • Para as sete restantes, as informações são limitadas; algumas passaram pela prisão com fiança, outras não têm confirmação sobre sentenças de morte ou gravidade das acusações.
  • A verificação de casos no Irão é difícil devido ao acesso limitado à informação; em 2025 foram registadas pelo menos 1.639 execuções, o nível mais alto em décadas, com críticas internacionais à pena de morte em contextos de protestos.

Uma imagem partilhada por Donald Trump gerou controvérsia ao alegar que oito mulheres iranianas estavam condenadas à morte. O ex-presidente dos EUA publicou a montagem e pediu a libertação das demonstrantes.

No dia seguinte, Trump afirmou na sua plataforma Social Truth que as mulheres tinham sido perdoadas: quatro libertadas de imediato e quatro condenadas a um mês de prisão. As declarações foram contestadas pelo Irão.

A agência Mizan, ligada ao poder judicial iraniano, qualificou a publicação de Trump como inventada. Garantiu que nenhuma das mulheres retratadas foi condenada à pena de morte.

De acordo com a Mizan, algumas das mulheres teriam sido libertadas, enquanto outras enfrentariam acusações que, se comprovadas, resultariam em penas de prisão. As informações não são totalmente verificáveis.

Contas associadas ao Irão sugeriram que a publicação poderia ter sido gerada por inteligência artificial, lançando dúvidas sobre a autenticidade da imagem. O rumor ganhou tração nas redes sociais.

Duas organizações independentes de direitos humanos disseram ter dúvidas sobre as alegações. A Iran Human Rights (Rússia) e a Human Rights Activists in Iran (EUA) apresentaram dados que contestam o teor de afirmação de pena de morte para as oito mulheres.

Estado atual dos casos e falta de confirmação

A Iran Human Rights afirmou que apenas Bita Hemmati estaria condenada à morte, com a sentença ainda sujeita a recurso, segundo a organização. Hemmati foi detida no início de janeiro, juntamente com familiares, e acusada de agressões contra membros da Guarda Revolucionária.

A HRA disse não ter confirmação sobre a gravidade das acusações contra outras detidas na imagem. Para várias, não existiam informações credíveis de condenação ou detenção continuada.

Entre as restantes mulheres, as informações variam: algumas teriam estado na prisão de Vakilabad, outras teriam recebido fiança ou não teriam sentença confirmada. Os relatos divergem entre fontes independentes, com pouca confirmação adicional.

O panorama geral permanece obscuro, dada a dificuldade de acesso à informação no Irão. O país atravessa tensões entre potências e enfrenta cortes de internet que dificultam verificações.

Relativamente ao Maciço contexto de 2025, organizações internacionais apontam para um recorde de execuções no Irão, impulsionado por casos ligados a protestos. A União Europeia tem acompanhado criticamente a aplicação da pena de morte.

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