- Voto no Peru com 35 candidatos; nenhum ultrapassa 50% na primeira volta, indicando segunda volta prevista para 7 de junho.
- Keiko Fujimori lidera as sondagens com cerca de 15%, seguida de Rafael López Aliaga e Carlos Álvarez; nenhum candidato chega aos 50% necessários.
- O sistema político está marcado por duas correntes: o fujimorismo, centrado em Fujimori, e o castillismo, ligado aos apoiantes de Castillo; a fragmentação reduz chances de vitória direta.
- A participação obriga o voto; quem não votar enfrenta multa, com absentismo entre 20% e 30% em zonas rurais.
- Economia mantém estabilidade, com crescimento de 3% ao ano e inflação em dois por cento; o Congresso passa a ter câmara bicameral pela primeira vez desde 1993, com sessenta senadores.
Peru vai a votos para eleger o quarto presidente em dez anos, num país de 27 milhões de habitantes que vota este domingo. A eleição traz 35 candidatos, com nenhum a alcançar a maioria absoluta, ante uma possível segunda volta em junho. O escrutínio ocorre num contexto de instabilidade política desde 2016, quando quatro antigos chefes de Estado tiveram de enfrentar a justiça.
A incerteza domina o cenário: oito em cada dez peruanos acreditam que a classe política é corrupta, segundo o AmericasBarometer. Ainda assim, o voto é obrigatório, com a multa prevista para quem faltar. Em algumas zonas rurais, o custo da deslocação pode exceder a penalização, explicando índices de absentismo entre 20% e 30%.
Candidaturas em choque
Keiko Fujimori lidera as sondagens, com cerca de 15% a 18% do apoio, seguida por Rafael López Aliaga e Carlos Álvarez. O espectro é muito fragmentado e nenhum candidato está perto de 50% para vencer já na primeira volta. A segunda volta está estimada para 7 de junho, segundo analistas.
O panorama eleitoral centraliza-se em duas correntes, ambas com cerca de 15% do eleitorado. De um lado, o fujimorismo associado a Keiko; do outro, o castilhismo, ligado à esquerda rural que apoiou Pedro Castillo, entre 2021 e 2022. A concentração de votos em Keiko e a dispersão à esquerda reduzem as hipóteses de uma vitória na primeira volta.
Tendências e cenários
A direita fortaleceu-se: a parcela da população com inclinação ideológica direita passou de 29% em 2021 para 41% em 2026, aponta o Instituto de Estudos Peruanos. O fortalecimento de candidaturas duras envolve promessas de endurecer o sistema de justiça, mobilizar o exército e reintroduzir a pena de morte em alguns casos.
Carlos Álvarez emerge como favorito entre eleitores descontentes com o establishment, segundo as sondagens que o colocam acima de López Aliaga. López Aliaga é visto por parte do eleitorado como uma alternativa de forte discurso conservador, mas tem perdido fôlego face ao desempenho de Álvarez.
Economia firme apesar da instabilidade
Economicamente o Peru mantém-se estável: crescerá cerca de 3% ao ano, com inflação em níveis próximos de 2%. O país é o terceiro maior produtor de cobre mundial, contribuindo com 24 mil milhões de dólares em 2025. Existem 23 acordos de comércio livre, incluindo com China e EUA.
A independência do Banco Central tem sido uma âncora da estabilidade, mantendo o atual presidente há 20 anos no cargo. Contudo, especialistas alertam para pressões políticas crescentes sobre as finanças públicas e para alterações regulatórias aprovadas pelo Congresso, com impacto orçamental.
Mudanças institucionais em curso
As eleições ocorrem num momento de evolução institucional: o Congresso passa a ser bicameral pela primeira vez desde 1993, com 60 novos senadores que poderão designar autoridades de alto nível. Esta reforma acrescenta um novo ator ao funcionamento de um sistema político já desafiado pela crise.
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