- Keiko Fujimori, candidata favorita às presidenciais no Peru, prometeu expulsar migrantes em situação irregular e restabelecer a ordem nos primeiros 100 dias, caso vença.
- A candidata de direita afirmou querer reforçar os laços com os Estados Unidos e atrair mais investimentos norte-americanos.
- Comprometeu-se a enviar o exército para as prisões, reforçar o controlo fronteiriço e criar um corredor humanitário para regressar migrantes irregulares, incluindo venezuelanos.
- Defendeu a restauração dos juízes sem rosto e comentou a expansão de uma dinâmica regional de líderes de direita, citando exemplos na região.
- As eleições ocorrem este domingo, com votos também para o Parlamento numa luta que acompanha uma crise política de vários anos e o retorno do tema de um sistema bicameral.
Keiko Fujimori promoveu uma aproximação a Washington na véspera das eleições no Peru. A candidata da direita indicou que, se vencer, pretende iniciar o seu mandato com ações para reforçar a ordem pública, atrair investimentos externos e consolidar uma orientação conservadora na região. A entrevista foi concedida à agência France Presse.
A lusa de apoio mantém-se entre os cenários mais prováveis, com Fujimori referida pela opinião pública como favorita em meio a um conjunto recorde de candidatos. Votos estimados situam-na com uma fatia próxima dos 15% das intenções de voto.
Contexto político e económico
Num quadro de tensão entre EUA e China na região, a candidata afirmou que quer estimular o envolvimento económico dos Estados Unidos no Peru e incentivar a Europa a manter a relação com o país. Dados de investimento apontam o Peru como segundo maior beneficiário chinês na América Latina, com dezenas de mil milhões de dólares investidos desde 2005.
Fujimori descreveu uma trajetória de liderança que acompanha a dinâmica de outros governos de direita na região, citando exemplos de países vizinhos. A candidata reforçou a ideia de aproximação com governos conservadores para impulsionar o crescimento económico, segurança e investimentos.
Propostas de política interna
Durante a entrevista, a candidata reiterou a prioridade de reduzir a criminalidade, associando o fenómeno à imigração irregular. Comprometeu-se a expulsar estrangeiros em situação irregular, a reforçar a presença militar em prisões e a reformar o sistema judicial. Também mencionou a criação de mecanismos para apoiar o retorno de migrantes irregulares.
A proposta inclui reforçar o controlo fronteiriço, restabelecer os chamados juízes sem rosto e obter poderes parlamentares para mobilizar as forças armadas na gestão de prisões. Fujimori insinuou que estas medidas visam restabelecer a ordem no Peru.
Contexto eleitoral e social
O Peru atravessa uma crise política com instabilidade institucional, marcada por oito presidentes em dez anos, com destituições e demissões sucessivas. O escrutínio de domingo abrange não só a eleição presidencial, mas também a renovação parcial do Parlamento, com a entrada num novo modelo bicameral.
Pelas contas das sondagens, Fujimori enfrenta a concorrência de outros nomes de maior expressão, incluindo humoristas, figuras conservadoras e candidatos de esquerda. A campanha tem sido marcada por debates sobre segurança, migração e reformas institucionais.
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