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Contratos sem visto do Tribunal de Contas geram crise no Parlamento

Governo aprova lei que isenta de visto prévio do Tribunal de Contas contratos até 10 milhões de euros, abrindo impasse político com o Chega e incerteza na maioria

O ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, com o ministro da Presidência, António Leitão Amaro
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  • O Governo aprovou uma proposta de lei que isenta de visto prévio do Tribunal de Contas contratos públicos até 10 milhões de euros, com implementação gradual e responsabilidade na transição.
  • A medida pretende eliminar o controlo prévio em mais de 90% dos contratos, substituindo o modelo por fiscalização concomitante ou posterior.
  • O Chega anunciou oposição frontal, classificando a proposta como “um convite à corrupção”; o PS é visto como o parceiro mais provável para viabilizar a reforma.
  • O ministro da Presidência afirmou que não há parcerias preferenciais e que o Governo quer encontrar maiorias com identificação nas medidas propostas.
  • Além dos contratos até 10 milhões, a decisão envolve o controlo interno certificado pela Inspeção-Geral de Finanças e alterações no recrutamento dos juízes do Tribunal de Contas; a presidente do TdC já expressou reservas sobre o limiar de cinco milhões de euros.

O Governo aprovou uma proposta de lei que isenta de visto prévio do Tribunal de Contas (TdC) contratos públicos até 10 milhões de euros. A medida foi apresentada em Conselho de Ministros como parte de uma revisão profunda da fiscalização da despesa pública. A intenção é eliminar o controlo prévio em mais de 90% dos contratos.

A iniciativa enfrenta resistência no Parlamento. O Chega já anunciou oposição, afirmando que a medida pode favorecer a corrupção. O líder André Ventura criticou o projeto, dizendo que transforma o visto numa exceção sem fortalecer o controlo. O PS ainda não se pronunciou.

Caminho para a aprovação

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou que não existem parceiros preferenciais e que o objetivo é formar maiorias com identificação suficiente nas medidas. O governo procura o apoio necessário para viabilizar a reforma do TdC e o controlo dos contratos.

Pela proposta, contratos acima de 10 milhões ficam apenas sujeitos a visto prévio se a entidade adjudicante assim entender. Caso contrário, pode recorrer a mecanismos de controlo interno certificados pela IGF ou manter o visto para evita dúvidas.

Regras atuais e mudanças

Atualmente, o visto prévio aplica-se a contratos acima de 750 mil euros (ou 950 mil em negócios ligados). A mudança reduz o peso do visto, priorizando fiscalização concomitante ou após a execução, com o controlo principal a ocorrer depois.

Segundo Gonçalo Matias, o Portugal é hoje um caso isolado na Europa pelo peso do controlo prévio. A reforma prevê a IGF a criar um manual de controlo interno para as entidades públicas seguirem.

Mudanças estruturais

A proposta também prevê alterações no modelo de nomeação dos juízes do TdC, aproximando-o do sistema do Supremo Tribunal Administrativo. O Governo classifica a reformulação como de fundo e pensada de raiz, visando maior celeridade.

A presidente do TdC, Filipa Urbano Calvão, já tinha expressado reservas sobre manter o controlo prévio para contratos elevados. Defendeu que acordos de longa duração merecem avaliação prévia para evitar riscos financeiros relevantes.

Perspetivas de implementação

O Governo sustenta que a reforma facilita a decisão e a execução de investimentos públicos, sem deixar de assegurar responsabilidade aos gestores. A fiscalização ficará a cargo de mecanismos proporcionais, com supervisão da IGF e do TdC.

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