- Voluntários portugueses que levaram ajuda a Cuba relatam falta de combustível e o receio de ver famílias separadas, com transportes diários a partir de Havana a dificultar o acesso às províncias.
- O desgaste entre os cubanos aumenta: há registo de “panelaços” à noite durante apagões e as condições de vida são descritas como impensáveis pelos membros do grupo.
- A crise energética já afeta também o alojamento dos voluntários, com falhas de energia a provocar desalento entre os cubanos.
- O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse que o país se prepara para uma possível intervenção militar dos EUA, com exercícios em todas as províncias.
- Os EUA, sob Donald Trump, ameaçam tomar Cuba e cortaram o petróleo cubano, enquanto outros países, como Rússia, manifestaram apoio humanitário, com promessas de envio de crude.
Voluntários portugueses que trouxeram ajuda humanitária a Cuba descrevem condições difíceis no terreno, com escassez de combustível e impactos das medidas americanas. A deslocação, feita no âmbito do Comboio Nuestra América, ocorreu entre Milão e Havana.
Entre os relatos, destaca-se a visão de um videógrafo de Santiago de Cuba, que não sabe quando poderá regressar a casa, devido à procura diária de transportes pelas províncias e à elevada procura por lugares nesses serviços. As condições de trabalho para os portugueses parecem difíceis.
A falta de energia elétrica também é uma realidade, afetando hotéis onde estão alojados os voluntários. O desgaste da população cubana é referido por Raquel Ribeiro, que integra a Associação Amizade Portugal-Cuba e o Comboio Nuestra América.
Preparação militar e declarações oficiais
Segundo os voluntários, delegações de 19 países europeus reuniram-se com autoridades cubanas, incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel. Díaz-Canel afirmou que o país se prepara para uma possível intervenção militar dos EUA, mantendo um certo otimismo entre os cubanos.
Raquel Ribeiro aponta que o país está preocupado com a evolução da tensão regional, mencionando intervenções históricas e episódios recentes na região. A voluntária reforça que Cuba tem experiência em resistir a pressões externas.
Donald Trump admitiu, em declarações públicas, o interesse em controlar Cuba e suspendeu a venda de petróleo cubano para a ilha, ampliando tensões com vários países. A pressão internacional tem outras nações a redefinir relações diplomáticas com Havana.
Apesar das dificuldades, alguns países continuam a apoiar Cuba, incluindo México, que enviou ajuda, e Rússia, que anunciou o envio de um petroleiro com cerca de 700 mil barris de petróleo. A expectativa é de que esses apoios possam mitigar a crise energética.
Os voluntários vão permanecer em Cuba até ao final da semana, para depois regressar a Milão. O carregamento total, superior a cinco toneladas, incluiu medicamentos e material médico destinados a Havana, conforme reportado pelos organizadores.
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