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Lisboa continua a liderar, mas já não funciona como motor de arrasto

Cristina Azevedo acusa centralismo de travar o desenvolvimento regional; Lisboa continua líder, mas perde fôlego, exigindo um modelo de governação mais descentralizado

Foto: Pedro Granadeiro
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  • Cristina Azevedo, da Universidade do Minho, apresentou, na conferência em Porto, um diagnóstico crítico sobre o modelo de governação em Portugal, com foco no centralismo.
  • Destacou o desequilíbrio regional: Lisboa continua a liderar, mas perdeu força e já não funciona como motor de arrasto para o país.
  • Dados económicos: PIB per capita é de cerca de 42 mil euros na Grande Lisboa e de 17,4 mil euros no Tâmega e Sousa.
  • Recursos públicos concentrados: 49% das compras da Administração Pública são de entidades da Área Metropolitana de Lisboa; 64% das compras da Administração Central e 62% das vendas a entidades públicas envolvem empresas da mesma região.
  • Concluiu que há décadas falha uma descentralização efetiva e pediu uma reformulação séria do modelo de governação para desbloquear o potencial regional e promover um desenvolvimento mais equilibrado.

Cristina Azevedo, professora da Universidade do Minho, criticou o modelo de governação em Portugal na conferência anual da Associação Círculo de Estudo do Centralismo, na Faculdade de Economia do Porto. O foco foi o centralismo como entrave ao desenvolvimento regional.

A investigadora destacou o desequilíbrio regional, dizendo que Lisboa continua a liderar, mas perdeu força como motor de arrasto. Alertou para uma sobrecarga na Área Metropolitana de Lisboa e para um fosso crescente com o interior.

Azevedo apontou dados sobre o PIB per capita: cerca de 42 mil euros na Grande Lisboa, 17,4 mil no Tâmega e Sousa, argumentando que a diferença não resulta de características inerentes, mas de falta de recursos.

Recursos públicos e concentração

Apontou que quase metade das compras da Administração Pública é realizada por entidades da Área Metropolitana de Lisboa. Percentuais semelhantes aparecem na centralidade de compras e vendas envolvendo a região, o que sustenta a crítica à centralização.

Como exemplo, referiu a indústria de dobragem: Lisboa tem 111 estúdios, o Porto e Vila Nova de Gaia somam apenas três, fora da capital. A diversificação regional é, para a investigadora, insuficiente para o país.

Azevedo criticou reformas que transferem competências sem meios. Defendeu a necessidade de repensar o modelo de governação para evitar impactos nas liberdades e garantias dos cidadãos.

Descentralização e rumo

A investigadora insistiu num modelo que funcione de forma eficaz, apontando que o sistema atual, há 50 anos, não é o melhor. Chamou a atenção para reformulações sérias que desbloqueiem o potencial regional, promovendo desenvolvimento mais equilibrado.

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