- Mário Zambujal morreu a 12 de março, aos 90 anos, deixando marca no jornalismo, na literatura portuguesa, na rádio e na televisão.
- A Delas.pt publicou, em março de 2019, a entrevista ao autor sobre mulheres, #MeToo, o seu percurso na imprensa (incluindo a transformação de Modas e Bordados em Mulher) e o futuro do jornalismo, associada ao livro Então, Boa Noite.
- O escritor elogia as mulheres, descrevendo-as como mais argutas e emancipadas, e questiona algumas leituras do movimento #MeToo, defendendo consentimento claro e criticando excessos.
- Recorda aspetos da vida pessoal e profissional, incluindo mais de cinquenta anos de casamento, a passagem pela direção da revista Mulher e a experiência no jornalismo durante o 25 de abril e as mudanças subsequentes.
- Reflete sobre o estado do jornalismo hoje, o impacto das fake news, a transição para plataformas digitais e o papel da leitura em papel na democracia.
Mário Zambujal morreu na quinta-feira, 12 de março, aos 90 anos, deixando uma marca no jornalismo, na literatura, na rádio e na televisão portuguesas. A notícia foi confirmada pela família e pela sua editora após vários anos de carreira marcados por humor e ironia subtis.
A Delas.pt republica uma entrevista de 2019 em que o autor abordou temas como o #MeToo, a evolução do jornalismo e o papel das mulheres. O diálogo ocorreu quando ele apresentava o livro Então, Boa Noite, publicado pelo Clube do Autor.
A conversa, gravada em março de 2019, começou sem pressas e foi marcada por humor e pela constante curiosidade sobre a sociedade. O livro então em lançamento aborda, entre outros temas, a relação entre homens e mulheres.
Carreira e contributos
Zambujal assumiu a direção da revista Modas & Bordados, que rebatizou como Mulher, mantendo a continuidade com Modas & Bordados. A mudança editorial acompanhou a evolução social do pós-25 de abril e contou com a participação de mulheres jornalistas.
No jornalismo, destacou-se pela capacidade de agarrar temáticas universais da vida, como a relação entre os sexos, a emancipação feminina e a mudança de hábitos. Em Portugal, acompanhou também a transição entre imprensa tradicional e plataformas digitais.
O autor mencionou a importância de manter uma linha editorial que refletisse tempos de incerteza política, sem recorrer a simplificações. Frisou que o acaso teve participação decisiva na vida pessoal e profissional.
O tempo, o noite e a escrita
O livro Então, Boa Noite, mistura ficção com a experiência de vida de Zambujal, incluindo a sua relação de mais de meio século com a mulher. A obra reflete o gosto pelo território da noite, considerado libertador por ele.
Sobre o próprio estilo, destacou a vontade de escrever de forma diferente e original, buscando uma abordagem que integre filosofia, psicologia, economia e política na relação entre dois seres humanos.
O estado do jornalismo
Analisando o cenário atual, o escritor mostrou preocupação com a desvalorização da leitura de papel e com o impacto das fake news. Ressaltou que o jornalismo não vai desaparecer, mas pode sofrer transformações profundas no consumo de informação.
Ao falar do futuro dos media, Zambujal indicou que a sobrevivência depende de regras claras e da adaptação a novas tecnologias, sem perder o compromisso com a veracidade e a qualidade jornalística.
Entre na conversa da comunidade