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Lusa interrompe quatro horas para anunciar que pretende manter-se isenta

Paralisação de quatro horas na Lusa lança alerta sobre independência editorial e risco de ingerência governamental, dizem trabalhadores

Lusa em protesto no Porto
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  • A redação da Agência Lusa parou quatro horas, entre as 10h e as 14h, numa greve parcial para protestar contra o novo estatuto editorial e defender a independência frente a alegadas ingerências políticas.
  • Durante a paralisação, o feed de notícias ficou quase zero e até a publicação da morte do jornalista e escritor Mário Zambujal foi adiada para regresso ao trabalho.
  • Os trabalhadores pedem uma revisão dos estatutos, que, dizem, não asseguram salvaguardas de independência nem garantem a isenção jornalística.
  • O protesto realizou-se em Lisboa, junto à Sede do Governo, e no Porto, com representantes sindicais, de trabalhadores e de partidos, destacando a criação de um Conselho Consultivo considerado pouco plural e sem poder vinculativo.
  • Diversas forças políticas e sociais manifestaram apoio à Lusa, defendendo uma comunicação social de proximidade, independência editorial e maior participação de sindicatos no processo de reformulação.

A redação da Agência Lusa interrompeu a atividade durante quatro horas, nesta quinta-feira. Entre as 10h e as 14h, o feed com cerca de 500 notícias diárias ficou praticamente inoperante. O protesto manteve-se contra o estatuto editorial e receios de influências políticas e governamentais na agência.

Jornalistas, representantes sindicais e dirigentes sublinharam a defesa da independência da Lusa. Em Lisboa, à porta da Sede do Governo, e no Porto, junto da redação, os trabalhadores exigiram uma revisão dos estatutos para salvaguardar a isenção informativa.

O protesto em Portugal continental juntou cerca de 50 participantes, sob o lema Lusa isenta e livre. A paralisação ocorreu de forma total no Porto, com uma manifestação que expôs preocupações sobre a possível fusão com a RTP e a falta de mecanismos de proteção contra ingerências.

Contexto e posições

Alega-se que o ato societário governamental que publicou os novos estatutos não prevê salvaguardas contra influências políticas. O delegado sindical João Gaspar afirmou que as mudanças não garantem a independência da agência e criticou o que chamou de protodiálogo com o Governo.

João Gaspar insistiu ainda na necessidade de uma revisão urgente dos estatutos, que, segundo ele, não asseguram a autonomia editorial essencial para o jornalismo. Jorge Eusébio, da Comissão de Trabalhadores, reforçou que a Lusa é reconhecida pela isenção, o que aumenta a importância de protegê-la de pressões.

Conselho Consultivo e representatividade

Os trabalhadores destacam que, com as alterações, passaram a existir dois representantes do Conselho de Administração que já ocupam funções, além de um Conselho Consultivo não vinculativo. Dos 13 membros, seis são políticos, quatro representam patrões da comunicação social e um representa a RTP, com apenas dois a representar trabalhadores.

Os trabalhadores defendem um Conselho Consultivo mais plural, propondo a inclusão de universidades e especialistas em comunicação social, bem como entidades empresariais. A ausência de sindicatos no conselho tem sido apontada como uma preocupação.

A possibilidade de interiorizar a Lusa no edifício da RTP também foi tema de debate, com receios de aproximações entre órgãos com identidades distintas. A administração indicou que há abertura para discutir o tema, mas os trabalhadores pedem esclarecimentos formais.

Apoios e leituras regionais

O movimento contou com apoio de sindicatos diversos, do Bloco de Esquerda e de grupos em defesa de uma comunicação social de proximidade. Representantes locais destacaram a importância da Lusa para o Norte e para o Porto, salientando o papel de cobertura regional e a resiliência jornalística frente a alterações estruturais.

Para além de Lisboa, o Porto foi considerado crucial pela capacidade de acompanhar o trabalho da agência na região. O posicionamento de partidos e de organizações cívicas sublinha a importância de preservar a independência editorial da Lusa para o ecossistema mediático português.

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