- A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Cabo Verde vai apurar eventuais responsabilidades pelos atrasos do recenseamento eleitoral na diáspora, após provocação da oposição.
- A deliberação prevê registar, analisar e diligenciar para apurar os factos e responsabilizar entidades como a Assembleia Nacional, o Governo e os partidos políticos, caso se confirme.
- A CNE informou que, a 3 de março, todas as comissões de recenseamento já estavam empossadas e a funcionar; o recenseamento termina hoje, quinta-feira.
- A queixa do PAICV aponta atrasos na posse das comissões, dificuldades logísticas e falta de transferência de verbas; a CNE confirmou atrasos e constrangimentos logísticos e financeiros.
- O recenseamento no estrangeiro registou 52.748 eleitores nas últimas legislativas, em 2021, e tem crescido mais rapidamente na diáspora (mais 7,2%), face às ilhas (mais 1,7%).
A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Cabo Verde anunciou que vai apurar eventuais responsabilidades pelos atrasos do recenseamento eleitoral na diáspora, após uma queixa da oposição. A medida visa as legislativas de 17 de maio, com foco na verificação de factos.
A CNE deliberou registar e analisar as situações reportadas, promovendo diligências para apurar responsabilidades das entidades envolvidas, designadamente da Assembleia Nacional, do Governo e dos partidos políticos. A decisão foi tornada pública na quinta-feira.
A CNE recorda que, a 3 de março, todas as comissões de recenseamento já estavam empossadas e a funcionar. O recenseamento encerra hoje, e o órgão emitiu recomendações administrativas, logísticas e operacionais para evitar problemas semelhantes.
Controvérsia e contexto do recenseamento
A queixa foi apresentada pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que aponta atrasos na posse das comissões, dificuldades logísticas e falhas na transferência de verbas. A deliberação reconhece atrasos e constrangimentos por questões logísticas e financeiras.
Os três círculos eleitorais no estrangeiro somaram 52.748 eleitores nas legislativas de 2021, equivalentes a 13,4% do total nacional. Dados de recenseamento de setembro de 2025 ainda vão ser atualizados, mas indicam maior crescimento na diáspora.
Perspectiva política do país
O MpD, atual governo, é liderado por Ulisses Correia e Silva, que procura um terceiro mandato. O PAICV apresenta Francisco Carvalho, presidente e autarca de S. Salvador, como cabeça de lista para retomar o poder.
O parlamento é hoje composto por 38 deputados do MpD, 30 do PAICV, e quatro da UCID, que aspira ter papel relevante sem maioria absoluta. As mudanças no recenseamento podem influenciar o dinamismo eleitoral no país.
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