- Ana Gomes prevê que António José Seguro será parco na utilização da palavra, correto e exigente na relação com o Governo, com alertas públicos na medida necessária.
- Diz que Seguro vetará alterações à legislação laboral tal como estão, sem acordo de concertação social.
- Aponta a privatização da Segurança Social como uma questão do Governo que deve ser impedida pelo Presidente da República e por outros órgãos.
- Critica a gestão da saúde e o uso de recursos públicos para pagar privados, bem como verbas pagas a médicos tarefeiros, considerando‑as inaceitáveis e precárias.
- Afirma que o novo Presidente será mais contido na linguagem, mas exigente nas reuniões com o primeiro-ministro, recorrendo a alertas públicos quando necessário, sem precipitar crises.
Ana Gomes, antiga candidata presidencial, afirma que António José Seguro será um Presidente da República parco na palavra, mas firme na relação com o Governo. Em podcast da Lusa Extra, defende alertas públicos bem dosados para acompanhar as decisões governamentais.
Segundo a diplomata, Seguro deverá vetar alterações à legislação laboral sem acordo de concertação social, como disse na campanha. Acrescenta que a privatização da Segurança Social é uma linha que o Governo PSD/CDS-PP pretende explorar, o que, na sua leitura, exige atuação firme do Presidente.
A antiga eurodeputada considera ainda prioritária a oposição à gestão da saúde, criticando recursos públicos usados para remunerar privados e pagamentos a médicos tarefeiros. Diz que tal prática constitui má gestão e reclama reformas abrangentes.
Características do próximo Presidente
Ana Gomes antevê um líder mais contido na comunicação, sem deixar de ser exigente nas conversas com o Primeiro-Ministro e nos compromissos públicos. Observa que poderão ocorrer alertas públicos de forma útil, quando necessário.
A entrevistada ressalva que Seguro não deverá precipitar crises, ao contrário de períodos de instabilidade vistos no passado. Avisa ainda para tensões internas no PSD, associadas à aliança com a extrema-direita, que podem destabilizar o Governo.
Visão externa e posição sobre o Irão
A antiga dirigente espera que o novo Presidente se distancie de apoios a políticas que ataquem o Irão, defendendo uma posição contrária a agressões consideradas ilegais pelo direito internacional. Afirma que Portugal deve falar com clareza sobre estas questões.
Sobre o Chega, Ana Gomes defende iniciativas que impeçam intervenções que agravem a sociedade portuguesa. Diz que o Presidente eleito tem a responsabilidade de responder com firmeza a esse tipo de intervenção.
Contexto internacional e futuro político
A ex-diplomata sublinha o desafio de um quadro internacional complexo para o novo Chefe de Estado. Enfatiza a importância de defender princípios do direito internacional e de alinhar-se com normas da ONU, mesmo diante de pressões externas.
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