- Um dos agentes detidos pela PSP na quarta-feira terá feito cirurgia plástica ao rosto após os crimes alegados na Esquadra do Rato, em Lisboa.
- A PSP tomou conhecimento da intervenção cirúrgica no primeiro inquérito, que já levou à detenção de dois jovens polícias em julho.
- A investigação envolve agora nove agentes detidos, acusados de tortura grave, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas, com casos graves contra toxicodependentes, sem-abrigo e outros detidos.
- A análise de telemóveis apreendidos levou à identificação de quatro novos suspeitos, alguns ainda a exercer funções na Esquadra do Rato, no Bairro Alto e no Comando da PSP de Lisboa.
- O ministro da Administração Interna afirmou que não há lugar para violência ilegítima nas forças de segurança, e o diretor nacional da PSP informou que, em 2025, houve exclusões de candidatos por atitudes agressivas, com formação adicional em 2026.
Um total de sete agentes da PSP foram detidos, na quarta-feira, por suspeita de tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificada. Os casos ocorreram envolvendo a Esquadra do Rato, em Lisboa, e motivaram uma operação policial de grande envergadura.
O jornal Observador confirmou junto de fonte ligada à investigação que a PSP teve conhecimento de uma intervenção cirúrgica no rosto de um dos suspeitos já no 1º inquérito. Esse episódio levou à detenção e prisão preventiva de dois jovens polícias em julho do ano passado.
A investigação não afasta a hipótese de que o procedimento estético visava dificultar a identificação do agente por parte das vítimas, segundo a mesma fonte.
Novos detenidos e contexto
Até ao momento, já são nove os agentes detidos no âmbito deste caso, todos suspeitos de submeter toxicodependentes, sem-abrigo e indivíduos com delitos menores, muitos deles em situação irregular, a verdadeiras sessões de tortura com uso de socos, pontapés, bastonadas ou gás pimenta, com algemas.
A acusação deduzida em janeiro contra dois agentes, detidos em julho de 2025 e em prisão preventiva em Évora, descreve condutas violentas, descontroladas e desprovidas de respeito pelos direitos fundamentais. O conjunto de fatos envolve também outros detidos, cujas ações estendem-se aos sete profissionais.
Noutras ocorrências, dois polícias terão sodomizado dois sem-abrigo com bastão e cabo de vassoura, enquanto outros elementos assistiam e filmavam sem intervir, conforme reportado pelo JN em novembro. Em outro caso, uma mulher foi batida, algemada e colocada com os braços abertos, como se estivesse pendurada.
A dada altura, um vídeo gravado por um dos agentes foi partilhado no WhatsApp, mostrando a vítima com espasmos e gestos que insinuavam desrespeito durante o episódio.
A juíza de instrução criminal decidiu não classificar o processo como de excecional complexidade, contrariando o pedido da procuradora. Como os prazos de prisão preventiva não permitiam abarcar todas as condutas, abriu-se um segundo inquérito que levou às novas detenções.
A análise dos telemóveis apreendidos permitiu identificar os novos suspeitos, que, segundo o JN, atuavam no Rato, no Bairro Alto e no Comando da PSP de Lisboa. Entre os detidos estão cidadãos da região do Porto, da Madeira e de Lisboa.
Reações oficiais
O novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou que não há lugar para violência ilegítima nas forças de segurança. Em comunicado, reforçou o compromisso com o respeito pelos direitos fundamentais.
No Parlamento, o diretor nacional da PSP indicou que, em 2025, foram excluídos 85 candidatos após testes psicológicos que detetaram atitudes radicais. Em 2026, matérias sobre prevenção de discriminação e radicalismo passam a ser obrigatórias.
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