- Dezenas de escolas, de norte a sul do país, abriram portas a influenciadores digitais conhecidos por conteúdos sexualizados e profundamente misóginos, sob a capa de entretenimento, em campanhas para associações de estudantes.
- O episódio reforça que a escola deve ser um espaço de formação, valores, respeito e dignidade humana, e é um sinal de alerta para a necessidade de reforçar a literacia mediática e cívica entre os jovens.
- O problema não é isolado e tem repetido nos últimos dois anos, apontando para fragilidades no associativismo estudantil.
- O projeto Academia 360º, formalizado entre a Federação Académica de Portugal (FAP) e a Câmara Municipal do Porto, leva dirigentes associativos e estudantes do ensino superior às escolas secundárias para promover participação informada e pensamento crítico.
- Questiona-se que referências queremos para as próximas gerações; sem orientação, outros ocupantes poderão surgir nas escolas, nem sempre com as melhores intenções.
Decorrreu esta semana a revelação de que dezenas de escolas em Portugal receberam influenciadores digitais cuja atuação envolve conteúdos sexualizados e fortemente misóginos. Sob o pretexto de entretenimento, campanhas para associações de estudantes abriram espaço a mensagens que minam a igualdade e o respeito.
Docentes, direções e famílias já referem que as escolas devem ser locais de formação cívica. O episódio, que não é isolado segundo análises, aponta para uma necessidade urgente de reforçar a literacia mediática e cívica entre os jovens, para além do papel pedagógico tradicional.
Este caso ressalta a responsabilidade das instituições de ensino na gestão de quem entra nos seus espaços. A atuação de estudantes que convidam figuras com conteúdos polémicos revela fragilidades no associativismo estudantil e na promoção de valores democráticos.
Academia 360º como resposta educativa
A cidade do Porto acolhe, numa parceria entre a Federação Académica de Portugal (FAP) e a Câmara Municipal, o projeto Academia 360º. A iniciativa envolve dirigentes associativos e estudantes do ensino superior em visitas a escolas secundárias.
O objetivo é promover participação cívica informada e pensamento crítico entre os alunos, fortalecendo a ligação entre vida académica e pública. A iniciativa demonstra uma linha de atuação que visa reduzir a superficialidade no envolvimento estudantil.
Resta saber quais referências irão orientar as próximas gerações. Sem um papel orientador claro das escolas, o espaço público pode ser ocupado por propostas com diferentes intenções.
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