- Mais de dois milhões de cheques-dentista destinados a crianças e jovens nunca foram usados, segundo a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD).
- Desde 2008 foram emitidos mais de 7,5 milhões de cheques e usados 5,1 milhões, com dados recolhidos até julho de 2025.
- A OMD aponta que a baixa utilização deve-se principalmente ao desconhecimento por parte das famílias e à falta de promoção por médicos de família e escolas.
- 11,5% dos utentes não sabia como obter ou usar o cheque dentista, e 23,1% não aproveitou por ter perdido o prazo de validade.
- O Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral terminou em dezembro de 2025 e ainda não foi apresentado um novo; críticas à falta de estudo nacional sobre doenças orais e à inação do Governo.
Mais de dois milhões de cheques-dentista destinados a crianças e jovens nunca foram usados, aponta a Ordem dos Médicos Dentistas (OMD). Desde 2008, o programa oferece consultas gratuitas, mas o aproveitamento tem sido baixo em várias regiões. Dados recolhidos até julho de 2025 mostram que, dos 7,5 milhões de vales emitidos, apenas 5,1 milhões foram usados.
Segundo a OMD, a principal razão é o desconhecimento do programa por parte das famílias, associada à falta de promoção eficaz por parte de médicos de família e escolas. O bastonário Miguel Pavão descreve uma banda de dúvidas que impede o acesso, citando displicência e insuficiente divulgação estruturada.
A investigação da OMD revela que 11,5% dos utentes não sabem como obter ou utilizar o cheque dentista. Em várias situações, os vales são enviados às escolas, mas a distribuição aos alunos não é assegurada de forma célere. Este atraso dificulta a marcação de consultas gratuitas para os beneficiários.
Pelo país, há relatos semelhantes de famílias que ainda não receberam os vales. Na região norte, diretivos de agrupamentos explicam que algumas escolas já distribuíram os vales, enquanto outras aguardam a entrega. Pais questionam-se sobre a origem do atraso e o prazo de validade.
Entre as críticas da OMD, está a deseparação dos vales em formato desmaterializado. O bastonário aponta que o programa deveria já ter evoluído para um sistema digital, o que reduziria perdas e atrasos. O Governo é também apontado como responsável pela falha na atualização do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral, que terminou em dezembro de 2025 sem novo lançamento.
Em declarações à Lusa, não foi possível confirmar de imediato reacções oficiais da Direção-Geral da Saúde, do Serviço Nacional de Saúde ou do Ministério da Saúde. A OMD enfatiza a necessidade de uma avaliação nacional das prevalências de doenças orais para orientar políticas públicas futuras.
A persistência da baixa utilização, segundo o estudo da OMD, revela um problema estrutural na promoção do programa. A entidade alerta para a importância de ações coordenadas entre escolas, serviços de saúde e famílias para assegurar o acesso a consultas e tratamentos dentários gratuitos, especialmente em um contexto onde uma parcela significativa da população enfrenta barreiras económicas.
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