- O aiatola Ali Khamenei morreu, em contexto de guerra, levando o Irão a uma crise de liderança; a sucessão está a ser tratada pela Assembleia de Peritos.
- A Assembleia de Peritos, com 88 membros, tem a autoridade para nomear um novo aiatola; até reunir-se, o governo passa a ser dirigido por um conselho provisório de três membros.
- O edifício da Assembleia em Qom foi atingido por ataques durante uma votação sobre o substituto de Khamenei; não está claro quantos dos membros presentes estavam a operar.
- Entre os potenciais substitutos aparecem Mojtaba Khamenei, Hassan Rouhani e Hassan Khomeini, assim como Sadeq Amoli Larijani e Ali Larijani, considerados laivos de linha-dura.
- O Irão parece ter descentralizado a cadeia de comando ante a possibilidade de agressões prolongadas, com autoridades regionais a receberem poderes operacionais caso a liderança fique incapacitada.
O falecimento do aiatolá Ali Khamenei mergulhou o Irão numa crise de liderança, em contexto de guerra. Um conselho temporário assumiu o governo, enquanto a Assembleia de Peritos discute o sucessor. A sede do órgão foi atingida por ataques.
Segundo várias fontes, o ataque visou o edifício da Assembleia de Peritos em Qom durante uma votação sobre o substituto de Khamenei. Não está confirmado quantos dos 88 membros estavam presentes.
O regresso do país a uma gestão transitória ficou a cargo de um conselho de três membros, anunciado pelo governo no domingo. Compõem-no o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Poder Judiciário Gholam-Hossein Mohseni-Ejei e o aiatola Alireza Arafi.
Sucessão em tempo de guerra
A Constituição confere à Assembleia de Peritos, maioritariamente clérigos seniores, a autoridade de nomear um novo aiatola. A transição permanece em suspenso até a reunião do órgão.
Mohseni-Ejei, nomeado por Khamenei em 2021, é visto como linha-dura e tem histórico em funções judiciais. Anteriormente liderou o Ministério da Inteligência entre 2005 e 2009.
Arafi, vice-presidente da Assembleia de Peritos, dirige seminários religiosos e ganhou visibilidade após encontrar o Papa Francisco em 2022. É considerado um clérigo próximo da linha dura.
Candidatos em discussão
Entre os nomes mencionados figura Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, apoiado por facções da linha dura e pelo IRGC. Ex-presidentes Hassan Rouhani e Hassan Khomeini também aparecem como potenciais candidatos associados ao processo.
Sadeq Amoli Larijani, ex-chefe do judiciário, e Ali Larijani, atual figura-chave da segurança nacional, são apontados como possíveis sucessores. A família Larijani reúne historial de críticas, incluindo casos de corrupção durante governos anteriores.
Contexto e desdobramentos
As autoridades teriam preparado uma descentralização operacional antecipada, com comandantes regionais recebendo poderes em caso de incapacidade da liderança. O ministro dos Negócios Estrangeiros indicou que a República está preparada para uma guerra prolongada.
Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, reforçou que o país pode enfrentar um prolongamento do conflito. Se a estrutura de poder se mantiver, a sucessão tende a permanecer no seio do regime, sob pressão externa e interna.
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