- O ex‑ministro Miguel Relvas afirmou que o acordo UE‑Mercosul tem um significado estratégico que vai além do comércio, destacado no primeiro Fórum de Integração Mercosul‑União Europeia, em São Paulo.
- Relvas vê o acordo como um movimento geopolítico num sistema internacional em transição, com a UE a procurar autonomia estratégica através da diversificação de parcerias.
- O objetivo é não só exportação de bens, mas também de regras regulatórias, projetando o modelo europeu para além das fronteiras e reforçando a influência normativa e económica da UE.
- Para o Mercosul, o acordo pode reduzir a dependência de mercados asiáticos, diminuir vulnerabilidades e aumentar o poder negocial, desde que haja políticas de modernização produtiva.
- Riscos identificados incluem o custo reputacional para a UE e eventuais assimetrias estruturais para o Mercosul se não forem acompanhadas políticas de modernização e sustentabilidade a longo prazo; o acordo foi assinado a dezoito de janeiro, após mais de vinte anos de negociações.
Miguel Relvas, ex-ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, disse que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul tem um significado estratégico que vai além do comércio. A intervenção ocorreu no 1º Fórum de Integração Mercosul-UE, em São Paulo, Brasil, nesta quarta-feira.
Relvas explicou que o pacto funciona como um movimento geopolítico numa systema internacional em mudança. A UE pode afirmar autonomia estratégica ao diversificar parcerias, em contexto de maior presença económica chinesa na região.
Segundo o ex-governante, reforçar laços com o Mercosul ajuda a UE a evitar marginalização e a manter influência normativa e económica. O acordo não se resume à exportação de bens, também envolve regras e modelo regulatório transfronteiro.
Para os países do Mercosul, a leitura geopolítica aponta redução da dependência junto de mercados asiáticos, especialmente da China, para matérias-primas. Relvas destacou a diminuição de vulnerabilidades e o aumento do poder negocial.
Relvas sustenta que acordos deste tipo demonstram que o comércio pode servir de instrumento de estabilidade estratégica, não apenas de competição entre blocos. O discurso manteve foco em benefícios estratégicos mais amplos.
Entre os potenciais riscos, o ex-ministro indicou o custo reputacional para a UE, com necessidade de equilibrar prática comercial e políticas climáticas. Para o Mercosul, o conteúdo de abertura pode aprofundar assimetrias sem políticas de modernização.
O responsável salientou que o sucesso do acordo depende de sustentabilidade a longo prazo e de políticas que acompanhem a abertura comercial. A intervenção encerrou com apelo à unidade entre UE e Mercosul e referência a Maquiavel.
O acordo UE-Mercosul, assinado a 17 de janeiro, visa reduzir tarifas entre os blocos após mais de 20 anos de negociações. O Mercosul é composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Entre na conversa da comunidade