- No Dia Mundial da Obesidade foi lançado o Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade, reunindo sociedades médicas e a ADEXO, para exigir uma estratégia nacional no SNS.
- O objetivo é reduzir o tratamento discriminatório e assegurar acesso equitativo a cuidados, incluindo ações concretas e combate ao estigma.
- O presidente da SPEO alerta para o impacto económico e de saúde da obesidade, que é fator de risco para mais de 200 patologias, incluindo 13 tipos de cancro.
- Destaca-se desigualdade de acesso a fármacos (caros, sem comparticipação) e concentração de serviços no litoral, com escassez de equipas multidisciplinares no interior.
- Em Portugal, mais de um quarto da população adulta tem excesso de peso, cerca de dois milhões vivem com obesidade, e a doença representa cerca de 10% da despesa em saúde e 3% do PIB.
Especialistas e doentes denunciam tratamento discriminatório da obesidade face a outras doenças crónicas, pedindo uma estratégia nacional para garantir acesso equitativo no Serviço Nacional de Saúde. O alerta coincide com o Dia Mundial da Obesidade.
O Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade foi lançado por sociedades e associações médicas de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, Estudo da Obesidade, Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas, além da ADEXO.
Na opinião de José Silva Nunes, presidente da SPEO, o documento pretende evidenciar o impacto da obesidade em Portugal, incluindo custos para o SNS. São apontadas mais de 200 complicações associadas, entre as quais 13 tipos de cancro.
Início de alterações estruturais
O manifesto defende uma estratégia nacional centrada no doente, com transformação de recomendações em ações concretas para melhoria real no tratamento. Também sublinha a necessidade de combater o estigma de quem vive com obesidade.
O peso do preconceito é destacado como elemento que limita o desenvolvimento pessoal e profissional de muitas pessoas com obesidade, que muitas vezes sofrem com rótulos de preguiça ou falta de esforço.
Também se verifica desigualdade de acesso a fármacos, considerados pilar do tratamento, devido a custos elevados e à falta de comparticipação. A distribuição de serviços é mais concentrada no litoral, com escassez no interior.
O endocrinologista alerta para que o acesso ao tratamento não dependa do local de residência, sublinhando a necessidade de equipas multidisciplinares disponíveis em todo o país.
Contexto nacional e dados
Paula Freitas, presidente da SPEDM, defende a abertura de consultas de obesidade nos cuidados de saúde primários, destacando a necessidade de acompanhamento prolongado por equipas multidisciplinares, incluindo médico, psicólogo, nutricionista e fisiologista.
Caso não haja esse modelo, defende que pelo menos haja acesso a consultas que permitam definir planos de tratamento em conjunto com o médico, incluindo cirurgia quando pertinente. A Medicina Geral e Familiar é apontada como porta de entrada.
Em Portugal, mais de um quarto da população adulta está com excesso de peso e cerca de dois milhões vivem com obesidade, doença que representa cerca de 10% da despesa em saúde e 3% do PIB, segundo a Direção-Geral da Saúde.
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