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Manifesto alerta tratamento desigual da obesidade e exige estratégia nacional

Manifesto alerta para tratamento discriminatório da obesidade e exige estratégia nacional centrada no doente, com acesso equitativo e redução de custos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS)

Foto: Adelino Meireles/Arquivo
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  • Lança-se o Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade, com assinatura de sociedades médicas nacionais, para alertar para o impacto da obesidade em Portugal e custos para o SNS.
  • Defende-se uma estratégia nacional centrada no doente, convertendo recomendações em ações concretas e como combater o estigma associado à obesidade.
  • Destacam-se desigualdades de acesso a fármacos e recursos, com serviços concentrados no litoral e escassez de equipas multidisciplinares no interior.
  • A presidente da SPEDM insiste na importância de consultas de obesidade nos cuidados primários, com acompanhamento prolongado por equipas multiprofissionais.
  • Em Portugal, mais de um quarto da população adulta tem excesso de peso, cerca de dois milhões vivem com obesidade, e a doença representa cerca de 10% da despesa em saúde e 3% do PIB.

O Dia Mundial da Obesidade ficou marcado pelo lançamento do Manifesto pela Ação Urgente na Obesidade, assinado por sociedades e associações médicas ligadas a Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, Estudo da Obesidade, Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Cirurgia da Obesidade e Doenças Metabólicas, e pela ADEXO.

O documento defende uma estratégia nacional centrada na pessoa com obesidade, convertendo recomendações em ações concretas para melhorar o tratamento e reduzir custos para o SNS. O objetivo é combater o estigma associado à doença e promover uma abordagem integrada.

O presidente da SPEO, José Silva Nunes, afirmou que a obesidade eleva riscos de mais de 200 condições de saúde, incluindo 13 tipos de cancro, e representa um desafio financeiro para o sistema público. O manifesto apela a uma resposta pública mais robusta e coordenada.

Desafios de acesso e estigma

O endocrinologista sublinhou desigualdades regionais e sociais no acesso a fármacos, considerados pilares do tratamento, que nem sempre estão acessíveis por custos e pela falta de comparticipação. Os serviços especializados concentram-se no litoral, com escassez de equipas no interior.

Refletindo sobre o papel da medicina primária, Paula Freitas, presidente da SPEDM, defendeu consultas específicas para obesidade nos cuidados primários, apontando a necessidade de acompanhamento multidisciplinar e prolongado, envolvendo médico, psicólogo, nutricionista e fisiologista.

A responsável frisou que não se trata apenas de prescrever fármacos, mas de estabelecer, em parceria com o doente, o plano de tratamento adequado, incluindo, quando necessário, opções cirúrgicas. O acesso a consultas facilita o início de um caminho de gestão da doença desde a primeira porta de entrada.

Em Portugal, mais de um quarto da população adulta tem excesso de peso, e cerca de dois milhões vivem com obesidade. Dados da Direção-Geral da Saúde indicam que a doença representa aproximadamente 10% da despesa total em saúde e 3% do PIB.

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