- O líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, afirmou num almoço em Lisboa que o primeiro-ministro não vai deixar cair a ministra dos patrões porque este é um Governo dos patrões.
- O encontro marcou o 27.º aniversário do BE, com Fernando Rosas a alertar para uma aliança entre a direita e a extrema-direita fascizante.
- Pureza disse haver urgência de mudar o mundo, motivação que, segundo ele, apresenta os bloquistas contra o anteprojeto laboral do Governo PSD/CDS-PP, e destacou a importância da unidade de trabalhadores e sindicatos.
- O coordenador criticou Montenegro e a reforma dos patrões, afirmando que isolar a ministra não basta porque o Governo é dos patrões.
- Rosas avisou sobre uma aliança entre direita e extrema-direita, enfatizando o risco da manipulação algorítmica das redes sociais e pediu aos bloquistas que recriem estruturas e recrutem novos militantes, preparando-se para lutas futuras.
O Bloco de Esquerda (BE) afirmou que o primeiro-ministro não afastará a ministra dos Assuntos Laborais, em meio a críticas ao anteprojeto laboral do Governo PSD/CDS-PP. A declaração foi feita por José Manuel Pureza, durante um almoço em Lisboa que marcou o 27º aniversário do BE, fundado em 1999. O evento decorreu numa altura de manifestações contra a proposta.
Pureza destacou a “urgência de mudar o mundo” que define a génese do partido e que motiva a oposição ao anteprojeto laboral. O líder bloquista enfatizou a necessidade de manter a unidade entre trabalhadores e sindicatos para enfrentar o que descreveu como extremismo e autoritarismo na pasta do Trabalho. Assinalou ainda que isolar a ministra não basta, lembrando que o Governo é visto como útil aos interesses dos patrões.
Relativamente ao historial do BE, Pureza enalteceu as causas fundadoras, como a defesa dos direitos das mulheres e a luta contra as alterações climáticas. Referiu que a formação manteve a “genica” de Francisco Louçã, Luís Fazenda, Fernando Rosas e Miguel Portas, destacando que as causas antifascistas permanecem centrais na atuação do partido, que é apresentado como adversário dos “chefes da direita” e dos interesses empresariais.
Alerta sobre alianças entre direita e extremismo
Fernando Rosas subiu ao púlpito com alertas sobre uma aliança entre a direita e uma corrente extremista. O antigo líder bloquista afirmou que essa convergência já é quantitativamente significativa na Assembleia da República e apontou para o uso de manipulação algorítmica e de desinformação nas redes sociais como ferramenta central. A plateia incluiu figuras históricas do BE, como Mariana Mortágua, Catarina Martins, Francisco Louçã, Luís Fazenda, Fabian Figueiredo e Marisa Matias.
Rosas descreveu o projeto em curso como uma transformação do descontentamento com a crise do capitalismo em força política, alegadamente impulsionada pela despolitização e pela iliteracia. Avisou que o BE enfrenta um momento considerado “mais difícil da sua curta história” e pediu organização em empresas, sindicatos, comissões de trabalhadores, escolas e bairros, incentivando o recrutamento e a formação de novos militantes.
Contexto e raízes do BE
O BE nasceu em 1999 pela união de três forças: o PSR, a UDP e a Política XXI. A liderança recordou ainda a necessidade de preparar o partido para lutas difíceis, incluindo enfrentamentos políticos e possíveis ataques para “cancelamento” da posição pública do BE, sem no entanto abrir espaço para avaliações ou conclusões.
Entre na conversa da comunidade