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Estónia: Primeiro-ministro diz que Putin cairia se parasse a guerra

Estónia diz que Putin não pode pôr fim à guerra sem provocar instabilidade; UE procura desbloquear 90 mil milhões de euros e reforçar defesa

Primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal
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  • O primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, disse à Euronews que Putin não pode perder a guerra na Ucrânia e comparou o poder a andar de bicicleta.
  • Defendeu que a União Europeia desbloqueie 90 mil milhões de euros para apoiar a Ucrânia e investir mais na defesa.
  • Alertou para o risco de uma paz prematura sem garantias de segurança e afirmou que Putin tem mais homens armados; se parasse, poderia criar instabilidade.
  • Refiriu que os ativos russos congelados continuam em jogo e que o compromisso de 90 mil milhões deve ser cumprido mesmo sem a concordância da Hungria e da Eslováquia.
  • Sugeriu quadros de cooperação com aliados não pertencentes à UE e reforçou a necessidade de maior investimento europeu em defesa; a Estónia gasta 5,4% do PIB em defesa este ano.

O primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, afirmou no programa Europe Today, da Euronews, que Vladimir Putin não pode acabar com a guerra na Ucrânia sem consequências políticas. Ele pediu à UE para desbloquear 90 mil milhões de euros em ajuda e aumentar o investimento em defesa.

Michal explicou que não procura entender Putin, mas sugere que a lógica de um regime autoritário explica a continuidade da agressão, mesmo com negociações em curso. Afirmou ainda que Putin tem mais homens armados do que no início do conflito.

Segundo o chefe do Executivo estónio, uma paz prematura sem garantias sólidas de segurança pode provocar instabilidade na Rússia e na Europa. “Se ele parar de matar, o que fará aos seus homens?”, questionou.

A entrevista ocorreu num momento em que o plano da UE para mobilizar 90 mil milhões de euros de apoio à Ucrânia permanece bloqueado politicamente. Michal acredita que Ursula von der Leyen e António Costa encontrarão formas alternativas de desbloqueio.

Os comentários ressaltam ainda a discussão sobre ativos russos congelados como possível fonte de apoio à Ucrânia. Michal afirmou que a questão não está fora de questão, mas que o compromisso de 90 mil milhões deve avançar, independentemente das posições da Hungria e da Eslováquia.

Na avaliação do primeiro-ministro, as negociações entre a UE e os Estados-membros devem respeitar a decisão coletiva, mesmo diante de reservas. Referiu que algumas nações optaram por não participar, mas a Estónia manterá o seu posicionamento.

Michal comentou a posição do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e afirmou que a clareza sobre a sua política permanece ausente para outros líderes da UE. As próximas eleições em Hungria podem influenciar o cenário de segurança europeu.

Sobre a cooperação reforçada, o primeiro-ministro sugeriu envolver aliados fora da UE, como Noruega, Reino Unido, Canadá e Islândia, para ampliar a resposta de defesa da região.

No âmbito das relações transatlânticas, Michal reconheceu tensões, mas apoiou a ideia de que a Europa precisa de investir mais na sua defesa. A Estónia já gasta 5,4% do PIB em defesa este ano, indicador de prioridade para a NATO.

O dirigente estónio sublinhou que cumprir os compromissos de defesa fortalece a posição europeia a médio prazo. Afirmou ainda que a Europa pode sair mais resiliente, se manter o foco na segurança coletiva.

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