- O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, defende apoios a fundo perdido para os produtores agrícolas afetados pelas tempestades, especialmente na floricultura, que emprega cerca de 5.000 pessoas e rende 600 milhões de euros por ano, com estufas e produção destruídas.
- Diz que a resposta do Governo não pode passar apenas por novas linhas de crédito e defende apoios diretos para recuperar produções nacionais e postos de trabalho.
- Considera insuficientes os 40 milhões de euros anunciados e a reserva de crise da União Europeia; aponta que alguns produtores ainda pagam empréstimos contraídos após a tempestade Leslie e não sabem se vão receber apoios relativos aos incêndios.
- Afirma que o Plano de Transformação e Resiliência para Reconstrução (PTRR) tem apenas anúncio, sem medidas concretas, e que a reunião com o primeiro-ministro não trouxe clarificação.
- Critica o alinhamento político com as regras da União Europeia e defende cortes em benefícios a grandes empresas, parcerias público-privadas e transferências do Serviço Nacional de Saúde para grupos privados, para não prejudicar as pessoas.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, defendeu esta quinta-feira apoios a fundo perdido para produtores agrícolas afetados pelas tempestades. A intervenção ocorreu durante uma visita à Lusaflora, no Centro Nacional de Exposições, em Santarém. A prioridade é apoiar quem perdeu rendimentos.
O setor da floricultura, que emprega cerca de 5.000 pessoas e representa 600 milhões de euros anuais, continua a registar perdas significativas, com estufas e produções severamente danificadas. Raimundo afirmou que as ajudas devem chegar com rapidez e que é preciso decidir se há condições para continuar a produzir.
O dirigente comunista criticou a resposta governamental, dizendo que não basta ampliar linhas de crédito. Defendeu apoios diretos para salvaguardar produções nacionais e postos de trabalho, criticando a priorização de grandes grupos económicos.
Apoios e Orçamento
Questionado sobre os 40 milhões de euros anunciados e a reserva de crise da UE para o setor agrícola, o líder do PCP considerou as quantias insuficientes. Acrescentou que há produtores que ainda devem pagamentos de empréstimos contraídos após a tempestade Leslie e outros que aguardam apoios relativos aos incêndios.
Sobre o Plano de Transformação e Resiliência para Reconstrução (PTRR), o PCP aponta que ainda há pouco mais do que anúncios, com falta de medidas concretas após a reunião com o primeiro-ministro. O partido pede opções políticas de fundo, evitando transferir recursos para grupos económicos.
O PCP também questiona o impacto do PTRR no défice e na dívida, defendendo cortes dirigidos a benefícios fiscais para grandes empresas, a parcerias público-privadas e transferências do SNS para privados. A posição é a de evitar cortes que afetem a vida das pessoas.
Auditoria e Nomeação
Raimundo criticou a auditoria às infraestruturas rodoviárias e ferroviárias, anunciada pelo Governo após fenómenos meteorológicos extremos, dizendo que o LNEC enfrenta reduzida capacidade e não pode ser encarado como solução para problemas já existentes.
Sobre a nomeação do novo ministro da Administração Interna, Luís Neves, o dirigente reiterou que o PCP não personaliza debates políticos, enfatizando que a pertinência está na política, não na pessoa.
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