- O PSD de Cascais afirma que a atribuição de pelouros aos vereadores do Chega resulta de um compromisso do presidente da Câmara de trabalhar com todos os eleitos, mostrando respeito pelos eleitores.
- O presidente da Câmara, Nuno Piteira Lopes (PSD), disse ter cumprido a palavra dada antes, durante e após as eleições, mantendo a abertura ao diálogo com todos os eleitos.
- O PS abdiconou dos pelouros após a decisão, devolvendo-os à liderança do executivo, alegando que o acordo de governação para 2025/2029 foi rasgado e que há divisões internas no partido.
- O PSD/CDS-PP mantém o acordo de governação, enquanto o CDS-PP afirmou que não fará acordo com o Chega; o PS debateu a situação em reunião de órgãos.
- O ex-presidente do PSD Cascais, António Capucho, qualificou a decisão de bizarra e inqualificável, defendendo que o poder municipal não deve ser alargado ao Chega.
O PSD de Cascais afirmou, nesta terça-feira, que a atribuição de pelouros aos vereadores do Chega resulta de um compromisso do presidente da Câmara com todas as forças eleitas e demonstra respeito pelos eleitores. O clube social-democrata acrescentou que Nuno Piteira Lopes cumpriu o que já tinha dito antes, durante e após as autárquicas.
A decisão abriu críticas por parte de adversários no concelho, principalmente do PS, que tinha acordo de governação com o PSD/CDS-PP. Os dois eleitos socialistas entregaram os pelouros, devolvendo-os à liderança do executivo. Um acordo de governação para 2025/2029 ficou, assim, em causa.
O PSD Cascais sublinha que o diálogo com todos os eleitos e a divisão de pelouros entre quem entra no município são manifestações do respeito pela escolha dos eleitores e pelos resultados eleitorais. Os social-democratas reforçam que o município é a prioridade de Cascais.
Reações e posições
Nuno Piteira Lopes, presidente da Câmara de Cascais, defende que a diversidade e a pluralidade fortalecem a cidadania e a participação. O autarca lembra que o seu partido se tornou na prática da autarquia e reforça o compromisso com os cascalenses, sem modificar o curso de governação.
O CDS-PP, que integra a liderança do executivo, reagiu com reservas. O vereador do CDS-PP afirmou que o partido não celebrou nem manterá acordo com o Chega e indicou que vai discutir internamente a situação ainda hoje.
António Capucho, antigo presidente da Câmara (PSD) entre 2001 e 2011, classificou a decisão como bizarra e inqualificável. Questionou a alargamento do poder municipal ao Chega, lembrando a existência de uma maioria alicerçada na AD e no PS.
Contexto eleitoral
A coligação PSD/CDS-PP perdeu a maioria absoluta em Cascais nas autárquicas de outubro. A candidatura Viva Cascais, liderada por Piteira Lopes, conseguiu 30.258 votos (33,84%) e cinco lugares. O PS obteve 14.460 votos (16,17%), elegendo dois vereadores. O Chega ficou em quarto, com dois representantes e 12.954 votos (14,49%).
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