- Luís Neves, aos 60 anos, é o novo ministro da Administração Interna, substituindo Maria Lúcia Amaral.
- Ex-diretor da Polícia Judiciária desde 2018, iniciou a carreira na PJ em 1995 e tem experiência em investigação de crime violento, terrorismo e extremismo; já liderou a Unidade Nacional contra o Terrorismo (UNCT) e a antiga Direção Central de Combate ao Banditismo (DCCB).
- Participou em casos de grande relevância, como o desmantelamento de células da ETA, a detenção de dirigentes de extrema direita e, mais recentemente, a detenção de João Rendeiro em África.
- Sob a sua liderança, a PJ coordenou a megaoperação na Madeira com várias detenções, incluindo o presidente da Câmara do Funchal e o arguido presidente do executivo regional, envolvendo alegadas infrações como corrupção e abuso de poder.
- Enfrenta a missão de reformar a Proteção Civil e o SIRESP, gerir negociações com sindicatos da PSP e GNR, e resolver problemas nos aeroportos, nomeadamente no sistema de controlo de fronteiras em Lisboa.
Luís Neves é o novo ministro da Administração Interna. Aos 60 anos, tomou posse após oito anos à frente da Polícia Judiciária (PJ) e três décadas ao serviço da investigação criminal. Vai substituir Maria de Lurdes Amaral, que deixou o cargo na sequência de críticas à atuação na crise da depressão de janeiro.
O nome de Neves foi anunciado por Luís Montenegro como parte da remodelação governamental. O jurista de formação iniciou a carreira na advocacia e entrou na PJ em 1995, sendo nomeado diretor pela primeira vez em 2018, numa altura do governo socialista de António Costa.
Na PJ, Neves especializou-se em crime violento, terrorismo e extremismo, dirigindo unidades como a UNCT e a antiga DCCB. Foram-lhe atribuídas investigações de maior impacto, incluindo redes de ETA, a detenção de skinheads e o líder da extrema-direita Mário Machado.
Entre os casos marcantes, destaca-se o desmantelamento de células da ETA em Portugal e a detenção de António Rendeiro, líder de uma rede financeira, que ocorreu na África do Sul, após meses de busca internacional. Liderou ainda operações relevantes contra gangues leste e criminalidade violenta.
Sob a liderança de Neves, a PJ coordenou a operação na Madeira envolvendo mais de uma centena de inspetores, com detenções por suspeitas de corrupção, prevaricação, abuso de poder e tráfico de influência. Entre os detidos esteve o presidente da Câmara do Funchal.
A queixa de Neves inclui ainda a detenção do antigo banqueiro João Rendeiro, capturado na África do Sul após longos meses de busca, numa ação que encerrou uma fase de fuga internacional. O caso está associado a condenação por burla qualificada.
A gestão de Neves também ficou marcada pela modernização da PJ, reforço de quadros, integração de técnicos do SEF e aumento salarial por subsídio de risco, gerando contestação de PSP e GNR em negociações salariais.
Em audições parlamentares, Neves negou relação entre crime e imigração, afirmando que a criminalidade violenta é menor entre imigrantes. Criticou a disseminação de “fake news” que geram pânico no país.
O novo ministro enfrenta desafios ao nível da Proteção Civil e da reforma prometida para o final de 2025, com o Governo a anunciar a decisão de a adiar para depois dos fogos. O SIRESP e a organização de evacuações estão entre os pontos em foco.
Além disso, há negociações em curso com sindicatos da PSP e associações da GNR, já marcadas por protestos. A liderança policial tem de lidar com tensões laborais e com a necessidade de equipas adequadas para as operações.
Na sequência da transição, Neves terá também de atentar aos atrasos e falhas no funcionamento de aeroportos, nomeadamente em Lisboa, onde o controlo de fronteiras europeu deverá regressar em abril.
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