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Democracia pode não sobreviver a novos imperadores, dizem analistas

Para salvar a democracia, é urgente retirar o poder dos gigantes digitais e oferecer alternativas públicas gratuitas em correio, informação e cultura

Megafone P3
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  • Empresas digitais controlam dados, comunicações e produção intelectual, tornando serviços como correio, armazenamento, motores de busca e acesso à informação bens essenciais para a democracia.
  • A Inteligência Artificial e os seus algoritmos funcionam como biombo para afastar responsabilidades sobre a manipulação da opinião pública pelos grandes animadores dessas plataformas.
  • A desigualdade tecnológica aumenta, pois países e organizações menores ficam com os restos do desenvolvimento e o valor produzido socialmente é extraído pelas grandes empresas.
  • As eleições perdem libertade quando a influência das redes sociais não é escrutinada, com IA a treinar ódio, desinformação e polarização, transformando campanhas em engenharia comportamental.
  • Propõe-se criação de alternativas públicas gratuitas a nível nacional e europeu para serviços digitais essenciais, incluindo motores de busca e acesso a conteúdos, financiados com acordos com órgãos de comunicação social e produtores culturais, fortalecendo a soberania digital.

A reflexão sobre o estado da democracia aponta para um facto perturbador: grandes empresários dominam parte essencial da infraestrutura que sustenta o processo democrático. Dados, comunicações, produção cultural e informação estão sob o controlo de plataformas digitais que orientam o funcionamento público.

Segundo os autores, o modelo de negócio destas empresas depende do conflito, do medo e da desinformação. A Inteligência Artificial é apresentada como biombo que evita responsabilização por lucros obtidos através da manipulação de sentimentos e opinião pública.

O texto sustenta que o poder económico das big techs já se move para além do controlo técnico. Serviços como correio eletrónico, armazenamento de dados, busca e acesso à informação tornaram-se bens essenciais, orientando políticas e o tecido económico sem investimento direto por parte de estados.

A visão defendida aponta para uma desigualdade tecnológica que agrava diferenças económicas e políticas entre países. Na prática, países com menos recursos ficariam à margem do desenvolvimento e da partilha de conhecimento produzido socialmente.

A crítica estende-se à esfera democrática: eleições livres ficam comprometidas num ambiente com influência de redes sociais pouco escrutinadas. Treino de modelos de IA, sublinha, alimenta ódio, desinformação e polarização, transformando campanhas em operações de engenharia comportamental.

Propõe-se, portanto, mais que regulação: a retirada de poder aos “imperadores” digitais. Defende-se a criação de alternativas públicas, gratuitas e financiadas pelos estados para correio, agenda, imprensa e cultura, com motores de busca especializados em imprensa e cultura.

O objetivo é reforçar a soberania digital ao nível nacional e europeu. Medidas públicas seriam desenvolvidas em parceria com órgãos de comunicação social e produtores culturais, num quadro de maior transparência e escrutínio das plataformas.

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