- O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, pediu um plano de ajudas do Governo mais muscular, criticando a gestão da Proteção Civil e pedindo maior controlo a empresas como a E‑Redes.
- A autarquia já gasta 14 milhões de euros em limpeza para restabelecer serviços mínimos; há 23 milhões de euros em candidaturas de famílias para apoio à habitação e cerca de 200 milhões de euros em candidaturas de empresas, com a estimativa de prejuízos na ordem dos 700 milhões de euros.
- Questiona se o apoio do Estado central tem sido suficiente e afirma que algumas candidaturas ainda não estão validadas, indicando preocupação com eventual atribuição incorreta de verbas.
- Defende a reformulação da Proteção Civil e uma maior intervenção do Estado na gestão de redes estratégicas de energia, como a E‑Redes, para evitar que estas fiquem “intocáveis”.
- Reforça a necessidade de dinheiro, coordenação entre níveis de governo (Estado, autarquias e CCDR) e apoio da União Europeia, advertindo que, sem contágio controlado, o impacto económico no país pode ser grave.
O presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, reivindica um reforço do controlo sobre empresas como a E-Redes, após a passagem da depressão Kristin pelo concelho. Em entrevista ao Hora da Verdade, ele defende uma reformulação da Proteção Civil e um plano de ajuda público mais robusto para dinamizar a recuperação económica local.
Lide e contexto imediato: Lopes tem acompanhado a crise desde o epicentro, no quartel dos Bombeiros Sapadores, onde montou o gabinete de crise. O autarca admitiu ter ficado com uma percepção de atraso na resposta central e pediu uma visão mais integrada entre governo, CCDR e autarquias.
Custos e prejuízos: os números sobre prejuízos ainda estão a ser apurados. A autarquia já contabiliza 14 milhões de euros em despesas de limpeza e restabelecimento de serviços mínimos. Em habitação, existem cerca de 3 500 candidaturas por confirmar. Na economia, há aproximadamente 700 candidaturas com potencial de custo de 200 milhões de euros, elevando o total para perto de 700 milhões.
Apoios estatais em avaliação
O autarca questiona se o pacote de apoio de 2,5 mil milhões de euros chegou às empresas e reconhece que não há confirmação sobre a validação de candidaturas. Lopes ressalva a necessidade de evitar pagamentos injustos e de ativar mecanismos de reversão caso haja falhas.
Diálogo com o Governo: Lopes descreve o diálogo com o Governo como difícil pela ausência de informações. Explica que espera que o PTRR seja reforçado com uma coordenação mais clara entre Estado central, autarquias e regiões, com envolvimento das CCDR.
Impacto económico local: a falta de eletricidade em várias zonas e a dependência de redes privadas para serviços estratégicos geram risco de novas paragens. O autarca sugere que a gestão de infraestruturas importantes, como redes elétricas, exija maior regulação e possível retalho público.
E-Redes e segurança energética
Lopes afirma que há vulnerabilidade na distribuição de energia e defende um controlo mais apertado sobre empresas privadas que operam redes críticas. Aponta a necessidade de uma estratégia de investimento que inclua resiliência, proteção e capacidade de resposta a crises.
Perspetivas para o futuro imediato: o autarca alerta que, sem apoios adequados, o desemprego pode subir, com impacto em setores como metalomecânica e construção civil. Propõe soluções de apoio à tesouraria com prazos mais longos e maior possibilidade de fundos perdidos para estimular a recuperação.
Conselhos institucionais: Lopes considera crucial a cooperação entre o Estado, o poder local e regional, bem como a participação contínua de embaixadas comunitárias. Defende uma reformulação da Proteção Civil para responder a novos cenários de risco.
Relato político e institucional: o autarca reflete sobre o papel do Presidente da República e reconhece o apoio de Marcelo Rebelo de Sousa nestas semanas. Encerra com a ideia de que a recuperação exige esforço conjunto entre todos os níveis de poder.
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