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Guerra cultural no Reino Unido reduz apoio às políticas climáticas

Guerra cultural no Reino Unido reduz urgência climática; apoio à neutralidade carbónica até 2050 em queda, com Reform UK ficando isolado

Estudantes britânicos participam num protesto pela crise climática em frente ao Parlamento, em Londres, sexta‑feira, 12 de abril de 2019
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  • Um inquérito do Policy Institute do King’s College London, Ipsos e Centre for Climate Change and Social Transformations mostra queda no sentido de urgência para atingir a neutralidade carbónica no Reino Unido entre 2024 e 2025, e menor apoio a políticas climáticas.
  • Em 2019 o Reino Unido aprovou leis para alcançar neutralidade carbónica até 2050, com metas associadas de emprego verde e crescimento da economia de baixo carbono.
  • O apoio público desceu de 54% em 2021 para 29% hoje de quem acredita que o governo deve alcançar a neutralidade carbónica antes de 2050; a fatia que acha que não é necessária ou que não deveria ter essa meta subiu de 9% para 26%.
  • Os eleitores do Reform UK continuam a ser o único grupo sem maioria a apoiar a neutralidade até 2050, registando forte contração de apoio a políticas climáticas; jovens entre 16 e 34 anos também reduziram o apoio à meta.
  • Apesar disso, a maioria continua a defender a neutralidade carbónica até 2050 ou mais cedo (64%), e há uma clivagem crescente entre preferências políticas e preocupações com políticas climáticas.

A guerra cultural em torno da neutralidade carbónica voltou a dominar o debate público no Reino Unido, traduzindo-se num recuo do apoio às políticas climáticas. Um inquérito recente indica que os eleitores do Reform UK são o único grupo político sem maioria favorável a atingir a neutralidade até 2050 ou antes.

O estudo, realizado pelo Policy Institute do King’s College London, em parceria com Ipsos e o Centre for Climate Change and Social Transformations, avalia atitudes entre 2021 e 2025. Em 2019 o Reino Unido aprovou leis para alcançar a neutralidade carbónica até 2050, sob a meta de reduzir emissões de gases com efeito de estufa.

Contexto de pressão pública

Em 2021, 54% dos britânicos achavam que o governo devia alcançar a neutralidade antes de 2050; hoje, esse valor cai para 29%. A parcela que considera que não é necessário atingir a neutralidade até 2050 ou que a meta não deve existir subiu de 9% para 26%.

Entre 2024 e 2025, o apoio a políticas climáticas como bairros de baixo tráfego, impostos sobre voos, subsídios a veículos elétricos e um imposto sobre alimentos com impacto ambiental diminuiu. Em termos de opinião, já há setores onde a oposição supera o apoio.

Partidos e grupos de eleitores

Os eleitores do Reform UK em 2024 destacaram-se como o único grupo sem maioria favorável à neutralidade até 2050. Também foram os menos inclinados a apoiar políticas climáticas adicionais e mostraram menor preocupação com as alterações climáticas.

Entre eleitores conservadores, 49% preferem um partido que abrandar a ação climática, contra 39% em 2021. No caso do Reform UK, 68% manifestam essa preferência. Por outro lado, eleitores dos Greens, Liberal Democrats e Labour mantêm tendência de apoio a ações fortes contra as alterações climáticas.

Adoção de políticas climáticas por faixa etária revela maior oposição entre os mais velhos, com 35% a dizer que a meta não é necessária ou não deve existir, um aumento de 24 pontos face a 2021. Ainda assim, 64% do eleitorado entende que a neutralidade carbónica deve ocorrer até 2050 ou mais cedo.

Perspetivas sobre o cenário político

Especialistas associam a reconfiguração de prioridades públicas, onde inflação, imigração e NHS ganham protagonismo, a desvalorização de políticas climáticas de implementação mais exigente. Segundo o pesquisador, a guerra cultural intensifica o ceticismo perante medidas difíceis de aplicar.

Cobertura mediática e comunicação pública

Poucos meses antes da promulgação da legislação, um estudo sobre a imprensa britânica revelou falhas em ligar a neutralidade carbónica às alterações climáticas. Em 2024, 323 artigos mencionaram o termo net zero sem referir alterações climáticas; cerca de metade foi publicado pelo The Telegraph. O estudo, com 4 027 inquiridos com 16 ou mais anos, foi realizado em agosto de 2025.

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