- A Sociedade Portuguesa de Cardiologia apresentou uma petição a pedir a comparticipação de medicamentos usados em diabéticos também a pessoas obesas com risco cardiovascular, mesmo sem diabetes, e o fim das restrições de prescrição.
- O objetivo é que pacientes obesos com alto risco cardiovascular tenham acesso a estes fármacos, independentemente de terem diabetes, reduzindo o peso e os fatores de risco.
- A petição salienta que a evidência científica mostra que agonistas do recetor GLP-1 promovem perda de peso relevante e reduzem eventos cardiovasculares.
- A presidente da SPC afirma que houve alargamento dos critérios de comparticipação para incluir obesos com índice de massa corporal até 30, mas mantém-se a portaria de prescrição com limitações a determinadas especialidades.
- Destaque ainda para o apoio da Organização Mundial da Saúde à intervenção na obesidade como forma de evitar doenças associadas, com a ideia de que a comparticipação destes medicamentos pode reduzir custos de saúde no futuro.
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) lançou uma petição pedindo a comparticipação de medicação usada em diabéticos para pessoas obesas com risco cardiovascular, mesmo sem diabetes. Reclama também o fim das restrições na prescrição. O texto destaca a obesidade como doença crónica associada a maior risco de doença cardíaca.
Segundo a SPC, a evidência científica sustenta que agonistas do recetor GLP-1 promovem perda de peso relevante, melhoram fatores de risco e reduzem eventos cardiovasculares. A petição sustenta o benefício clínico destes fármacos em pacientes obesos com risco.
Cristina Gavina, presidente da SPC, diz que a recente ampliação dos critérios de comparticipação foi positiva, mas tem limitações. O índice de massa corporal admitido baixou de 35 para 30, beneficiando obesos sem diabetes, mas com risco elevado.
A dirigente sublinha que a portaria atual restringe a prescrição a áreas específicas como Medicina Interna, Medicina Geral e Familiar, Endocrinologia e Pediatria. Assim, várias especialidades enfrentam constrangimentos na indicação destes fármacos.
Além de diabéticos, a SPC defende que pessoas com doença estabelecida, como quem já teve AVC e permanece obesa, também devem ter acesso a estes tratamentos. A evidência internacional já aponta benefícios nestes cenários.
Há ainda medicamentos similares no mercado, com diferentes doses, o que complica o acesso exclusivo aos diabéticos. A SPC defende a comparticipação para obesos não diabéticos e o fim das restrições de prescrição.
A especialista aponta que ensaios clínicos mostram benefício independentemente da perda de peso total estimada. Também se fala num possível efeito anti-inflamatório e melhoria de marcadores metabólicos.
A Organização Mundial da Saúde já enfatizou a urgência de tratar a obesidade para reduzir a despesa em saúde a longo prazo, defendendo que a comparticipação pode representar investimento público relevante.
Gavina reforça que reduzir a obesidade evita a progressão de doenças metabólicas, cardíacas, renais e hepáticas. A melhoria da pressão arterial, do perfil lipídico e da glicose é destacada como benefício indireto.
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