- A freguesia da Ereira, em Montemor-o-Velho, ficou isolada desde quarta-feira pela subida do Mondego, que invadiu campos agrícolas.
- Mesmo assim, a população votou nas eleições presidenciais, com o voto a ocorrer numa mesa instalada na antiga extensão de saúde local.
- Havia opiniões divididas entre quem defendia adiar as eleições e quem entendia que era necessário votar apesar do isolamento.
- No local, militares da Marinha, fuzileiros e bombeiros alimentaram-se e disponibilizaram refeições, num apoio humano junto aos habitantes.
- O transporte até Montemor-o-Velho realizou-se por botes da Marinha e por um camião da Brigada de Intervenção do Exército, com várias pessoas deslocando‑se para votar.
Na Ereira, Montemor-o-Velho, a freguesia ficou isolada desde quarta-feira pela água do Mondego. Mesmo assim, os habitantes votaram nas presidenciais. A logística de acesso manteve-se com barcos e camiões.
A população esteve dividida entre apoiar a realização das eleições e defendê-las adiantadas. Oficiais garantiram condições de voto para os residentes. O contexto de cheias temperou o sentimento cívico local.
Sérgio Martinho, um dos primeiros moradores afetados pela subida da água, votou ao início da tarde, com um “sentimento agridoce”. A casa ficou inundada, com água a subir desde o início da semana.
“Podíamos ter adiado as eleições, até duas semanas”, afirmou, referindo-se às depressões Kristin, Leonardo e Marta. “Mas alguém entendeu que não fazia sentido adiar, e nós cumprimos o nosso papel.”
Maria do Carmo, que também vota na Ereira, considerou prudente adiar a votação. Observou, no entanto, que o conjunto da freguesia permanece isolado e sem alternativa viável.
Joaquim Claro Alves manteve o hábito de votar tradicionalmente, independentemente das circunstâncias. Disse que não houve razão para faltar ao ato eleitoral.
Apoio logístico e solidariedade
Na Associação Cultural, Desportiva e Social, Filipa Machado coordena refeições para militares destacados. Disse que o grupo recebe bem os oficiais e pretende manter o apoio até haver normalização.
As refeições incluem sopa, grelhados e um buffet de sobremesas. O objetivo é oferecer conforto enquanto a população aguarda a melhoria das condições de acesso.
Mobilidade e transporte
Desde sábado, o acesso à Ereira faz-se por dois botes da Marinha, com apoio de militares. Em certos momentos, um camião da Brigada de Intervenção cumpriu o trajeto entre Montemor-o-Velho e Verride.
Quatro praças dos Fuzileiros viajaram em duas embarcações, acompanhadas por um residente de Verride. Os militares atuam de forma humanitária, com medidas de segurança reforçadas.
Perspetivas locais
É a primeira vez que os Fuzileiros transportam residentes pela água entre Verride e Ereira. As viagens duram cerca de 15 minutos, com maior duração à noite.
Voltando a Montemor-o-Velho, o regresso ocorreu num camião da Brigada de Intervenção, com mais passageiros. A operação mantém-se conforme a evolução das cheias.
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