- António José Martins Seguro, 63 anos, nasceu em Penamacor e foi uma figura destacada do PS, próximo de António Guterres e chefe de governo interina antes de afastar-se da vida política.
- Em 1982, fundou o jornal A Verdade com primos e “raptou” Manuela Eanes para conseguir entrevista do marido, o então presidente da República, resultado que acabou por ocorrer.
- Ocupou vários cargos, incluindo secretário-geral do PS, líder parlamentar e ministro adjunto; esteve 10 anos afastado da política.
- Em Penamacor investiu em turismo local, com alojamento, e produziu vinho Serra P e azeite Serra Magor; também foi professor e pretende terminar o doutoramento.
- Nas palavras dele, não é facilmente irritável, gosta de música diversa e valoriza a privacidade familiar, referindo-se a uma vida dedicada à política, à família e aos negócios.
Delfim de Guterres, apontado como o favorito de António Guterres, ganhou notoriedade por um percurso político marcado por posições definidas e por episódios de choque mediático no passado. O histórico de António José Seguro integra-se nesse círculo próximo do então primeiro-ministro, com destaque para o papel de secretário-geral do PS e para a liderança parlamentar.
Nascido em Penamacor no dia 11 de março de 1962, Seguro tinha 20 anos quando, com primos, fundou o jornal A Verdade. A publicação ficou conhecida pelo episódio do rapto da mulher do presidente da República para obter uma entrevista. O episódio é descrito pela própria Manuela Eanes em biografia recente.
Trajetória política e cargos no PS
Ingressou na gestão de empresas no ISCTE e, cedo, assumiu a cabeça de projetos de juventude, aproximando-se de Guterres. Em 1995 foi secretário de Estado da Juventude, posição de passagem para a política nacional. Em 1999 avançou para o Parlamento Europeu, mantendo ligação próxima a Guterres.
Em 2001 regresou a Portugal como ministro adjunto num governo de curta duração. Desempenhou ainda funções de líder parlamentar, contribuindo para a gestão interna do PS durante períodos de turbulência interna. A ascensão de Sócrates acabou por reduzir o protagonismo de Seguro.
Conflitos internos e fases subsequentes
Foi afastado da linha da frente política durante a década de 2010, após pareceres críticos dentro do PS. Em 2005, quando Sócrates ganhou maioria absoluta, Seguro deixou a liderança parlamentar e passou a desempenhar funções menos visíveis, mantendo oposição a algumas políticas da direção.
Em 2009, o PS rejeitou propostas de criminalização do enriquecimento ilícito, mantendo Seguro a emitir votos independentes em questões-chave. Ao longo dos anos, manteve-se próximo de várias alas do partido, embora com menor protagonismo público.
Além da política: vida pessoal e interesses
Seguro partilha com o público o interesse pela família, pela privacidade e pela dedicação às várias áreas que o marcaram. Em Penamacor investiu num alojamento local, produz vinho Serra P e azeite Serra Magor, explicando que nasceu de uma homenagem ao pai e evoluiu para uma atividade empresarial.
Antes de Belém, lecionou em instituições como o ISCSP e a Universidade Autónoma de Lisboa, onde se licenciou em Relações Internacionais. Ainda hoje pretende concluir o doutoramento que abandonou no meio, mantendo uma postura de igualdade entre colegas.
Interesses culturais e traços pessoais
O político descreve-se como pouco irritável, mas capaz de agir com firmeza quando necessário. Gosta de música variada, desde Madredeus a Slow J, passando por Rui Veloso e Zambujo, sempre associando a memória da mulher a temas que o acompanham.
Este relato resume uma trajetória marcada por momentos de controvérsia, gestão pública e uma relação próxima com o núcleo duro do PS e de figuras centrais da vida política portuguesa. As referências ao passado, já documentadas, ajudam a entender o posicionamento atual de Seguro.
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