- A ONU para os Refugiados (ACNUR) regressou a um campo no nordeste da Síria, Al-Hol, com milhares de presumíveis familiares de combatentes do Daesh e retomou a distribuição de ajuda humanitária.
- O ACNUR tinha dito inicialmente que a entrada no campo era impedida por questões de segurança, mas confirmou o regresso acompanhado por funcionários do Governo sírio.
- O campo albergava 23 mil pessoas, principalmente mulheres e crianças sírias, além de cerca de 8.500 estrangeiras; muitos residentes fugiram durante o caos recente.
- O caos ocorreu após tribos de Al-Hol se rebellarem contra a polícia curda, levando ao saque e incêndio de escritórios de organizações não-governamentais, num contexto de transferência de áreas para o Governo de Damasco.
- A prisão de Al-Aqtan, em Raqqa, que aloja cerca de 2.000 combatentes do Daesh, ficou sob controlo das forças do Governo como parte de um cessar-fogo com as Forças Democráticas da Síria.
O ACNUR regressou hoje a um campo no nordeste da Síria com milhares de possíveis familiares de combatentes do Daesh e retomou a distribuição de ajuda humanitária. A operação ocorreu em Al-Hol, após uma interrupção causada por questões de segurança.
A equipa da ONU informou, via X, que entrou no campo acompanhada por funcionários do Governo sírio. O objetivo é facilitar a entrega de mantimentos, incluindo pão, segundo o alto comissariado.
Segundo a diretora do campo, Jihan Hanna, muitos residentes fugiram durante o caos na região, e os restantes dispersaram-se pelas vastas instalações. O campo acolhe 23 mil pessoas, mayoritariamente mulheres e crianças sírias, além de cerca de 8.500 estrangeiras.
Hanna explicou que o tumulto emergiu quando tribos de Al-Hol se insurgiram contra a polícia curda. Algumas forças que estavam no terreno deslocaram-se para conter a situação, permitindo à população reagir e fugir.
Os escritórios de várias ONG foram saqueados e incendiados em meio à transferência de áreas sob controlo dos curdos para as forças do Governo de Damasco, num contexto de acordo que visa reduzir confrontos recentes.
A retirada das Forças Democráticas da Síria deixou o campo sem proteção até a chegada de forças do governo, abrindo espaço para uma vaga de fugas entre os residentes. O cessar-fogo com as FDS foi anunciado no fim de semana.
O Exército sírio informou ter assumido o controlo da prisão de Al-Aqtan, em Raqqa, abrigando cerca de 2.000 combatentes do EI. Isto foi apresentado como um “primeiro passo” na implementação do acordo com as FDS.
As forças do Governo indicaram que o acordo prevê a suspensão da ofensiva, a transferência de áreas sob controlo das FDS para a administração central e a integração de instituições e combatentes curdo-árabes no Estado sírio.
Enquanto isso, a prisão de Al-Aqtan enfrenta ataques diários de facções próximas do governo, segundo relatos de autoridades curdas sírias. O cenário permanece instável na região nordeste do país.
Os EUA encerraram o apoio militar às FDS e transferiram 150 prisioneiros do EI para o Iraque, quarta-feira. Ainda assim, cerca de 7.000 podem ser enviados para instalações iraquianas, conforme o Comando Central dos EUA.
Damasco e as autoridades curdas sírias firmaram um entendimento em 10 de março de 2025 para uma solução de zonas autodeclaradas no nordeste. O processo começou após a queda do regime de Bashar al-Assad e não se concretizou plenamente.
O Governo sírio continua a expandir acordos de cooperação com occidentes, enquanto a minoria curda manteve controlo sobre grandes áreas no norte e nordeste, incluindo recursos energéticos. As negociações continuam em aberto.
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