- A maioria do conselho de transição do Haiti votou pela demissão do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, com a substituição prevista no prazo de trinta dias.
- O anúncio foi feito pelo conselheiro Edgard Leblanc Fils, ao lado de Leslie Voltaire, contrariando os apelos dos Estados Unidos para manter a estabilidade.
- Ainda não está claro se o atual líder do conselho, Laurent Saint-Cyr, apoia a demissão do primeiro-ministro.
- Os Estados Unidos alertaram contra alterações precipitadas no Governo, dizendo que podem favorecer gangues e prejudicar a segurança e as eleições.
- O país está em crise, com as Nações Unidas a referir divisões entre as partes sobre a governação de transição e uma escalada da violência de gangues em Port‑au‑Prince.
O conselho de transição do Haiti votou hoje pela demissão do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, ampliando a crise política no país. A decisão foi anunciada por dois membros do órgão durante uma conferência de imprensa.
Edgard Leblanc Fils afirmou que o conselho irá substituir Fils-Aimé dentro de 30 dias, acrescentando que as regras do processo serão definidas nas próximas semanas. O anúncio ocorreu a acompanhar Leslie Voltaire, em Port-au-Prince.
Não ficou claro se Laurent Saint-Cyr, líder atual do conselho, apoia a demissão. Saint-Cyr já se opôs, em comunicado, a qualquer movimento que desestabilize o governo antes de 7 de fevereiro, data prevista para a dissolução do órgão.
Contexto internacional
Os Estados Unidos alertaram o conselho de transição contra qualquer mudança precipitada no Governo, durante uma escalada da pressão para eleições, pela primeira vez em uma década. A Embaixada dos EUA em Porto Príncipe apontou riscos de desestabilização e impactos sobre a segurança regional.
O Conselho de Segurança da ONU analisou a situação e ressaltou divisões entre as partes interessadas sobre a arquitetura de governação de transição. Além disso, a ONU aponta que gangues controlam cerca de 90% da capital e avançam para o interior do país.
A violência tem elevadas cifras: mais de 8 mil homicídios reportados entre janeiro e novembro do ano anterior, com subnotificação em áreas dominadas por gangues. A Polícia Nacional atua com apoio de uma missão liderada pela polícia do Quénia, apoiada pela ONU, ainda com recursos limitados.
O governo haitiano também recorreu a uma empresa militar privada para operações com drones contra suspeitos de gangues, resultando em quase 1 mil mortos entre março e dezembro do ano passado, incluindo civis. A ONU destacou preocupações sobre impactos humanos.
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