- A CBS emitiu uma reportagem sobre deportações de imigrantes que a nova diretora de informação retirou em dezembro do programa 60 Minutes, gerando uma disputa interna entre colaboradores.
- A jornalista responsável, Sharyn Alfonsi, acusou a decisão de ter sido “política” e não editorial.
- A peça não incluiu entrevistas em vídeo com responsáveis do governo de Donald Trump, mas mostrou declarações da Casa Branca e do Departamento de Segurança Interna que não faziam parte da reportagem inicialmente retirada.
- Alfonsi afirma que, desde novembro, houve várias tentativas de entrevistar autoridades da administração Trump, pedidos que teriam sido recusados.
- A reportagem descreve depoimentos de imigrantes enviados ao Centro de Confinamento de Terroristas (CECOT), em El Salvador, e cita análises de especialistas e da Human Rights Watch sobre a legalidade e os números das deportações.
A CBS retirou, em dezembro, uma reportagem sobre deportações de imigrantes do programa de investigação 60 Minutes. A decisão gerou uma disputa interna pública, com a jornalista Sharyn Alfonsi a acusar a diretora de informação de agir por motivos políticos, não editoriais.
A reportagem foi mais tarde exibida no último domingo, sem entrevistas em vídeo com responsáveis do governo de Donald Trump. Foram incluídas declarações da Casa Branca e do Department of Homeland Security que não estavam na edição original.
A CBS afirmou que pretendia manter a peça, centrada nos deportados enviados para o Centro de Confinamento de Alta Segurança (CECOT) em El Salvador. Bari Weiss argumentou que faltavam pontos de vista do governo e informações de outras fontes.
A liberar o conteúdo acidentalmente online, a CBS News tornou disponível um arquivo da reportagem já pronta para a Global Television, estação canadiana. A peça contém relatos de imigrantes sobre abusos vivenciados durante a deportação.
Dois deportados relatam tortura, espancamentos e abusos; um venezuelano descreve abusos sexuais e confinamento solitário. Um estudante universitário afirma ter sido espancado e ter tido um dente arrancado, descrevendo um “inferno”.
Especialistas questionaram a legalidade da deportação de pessoas com decisões judiciais pendentes. A Human Rights Watch aponta que apenas oito homens deportados tinham condenação por crimes graves, segundo dados do ICE.
A controvérsia envolve Bari Weiss, contratada pela CBS em outubro para liderar a informação, após compra da The Free Press por cerca de 150 milhões de dólares. Weiss já foi colunista do The New York Times e crítica de políticas identitárias.
David Ellison, presidente da CBS, defende a modernização do conteúdo e “diversidade de pontos de vista”, alinhando-se a uma linha editorial mais ampla. A fusão Paramount-Skydance motivou controvérsias sobre influências institucionais.
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