- Miguel Carvalho viu cancelada a sua participação no Festival Literário de Penacova, marcado para 2 a 7 de março, por instruções diretas do presidente da Câmara.
- O convite tinha sido feito em outubro para apresentar o livro “Por dentro do Chega” e a autarquia confirmou a data à agência Lusa.
- O presidente da Câmara de Penacova, Álvaro Coimbra, disse hoje que não houve censura, tratando-se de uma opção de conteúdos do festival e da recusa de temáticas político-partidárias.
- Carvalho afirma ter recebido o cancelamento por e‑mail e pede esclarecimentos por escrito sobre os motivos, dizendo que o recuo de autarquias é preocupante num contexto de democracia e liberdade de expressão.
- Também foi anunciado que João Paulo Barbosa de Melo, convidado para apresentar o livro, ficou a saber há dias que a sessão já não iria ocorrer, sem informações sobre as razões.
O festival literário de Penacova, marcado para ocorrer entre 2 e 7 de março, não contará com a presença do jornalista e escritor Miguel Carvalho, após uma decisão da Câmara Municipal. A organização do evento confirmou a suspensão à agência Lusa, sem indicar contactos adicionais ou detalhes do processo.
Miguel Carvalho alegou ter recebido por email a indicação de que a presença dele seria cancelada por instruções diretas do presidente da Câmara, eleito pelo PSD. O autor de Por Dentro do Chega afirmou ainda que o agendamento encontrava-se acordado desde novembro e que o convidado para apresentar o livro seria um professor da Universidade de Coimbra.
A Câmara de Penacova, em resposta escrita à Lusa, rejeitou a ideia de censura e disse tratar-se de uma escolha relacionada com os conteúdos do festival e com a exclusão de temáticas político-partidárias. O município afirmou desconhecer o convite feito ao autor desde outubro passado e reconheceu que houve um erro de programação.
João Paulo Barbosa de Melo, que tinha sido convidado para apresentar o mesmo livro, confirmou à Lusa que o evento já não iria decorrer, sem conseguir indicar as razões específicas para o cancelamento. O presidente da Câmara acrescentou que a decisão se aplica a todo o espetro político e reiterou a necessidade de evitar temas políticos no festival.
Contexto institucional e impactos
Miguel Carvalho escreveu, nas redes, que a decisão foi tomada poucos meses antes do evento, gerando surpresa e indignação quanto à gestão do festival. O episódio já foi descrito pelo autor como um ataque à liberdade de expressão no contexto democrático. O caso envolve ainda a gestão da autarquia e a comunicação com convidados.
Reações e próximos passos
Fontes oficiais indicaram que o festival segue a realizar as atividades previstas, com outras sessões confirmadas. A cidade de Penacova permanece em expectativa quanto à organização do evento e à eventual clarificação formal de motivos, bem como à comunicação com os convidados afetados.
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