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Urgência em religar o Parlamento ao país

Parlamento desconectado do país alimenta o populismo; reforçar a ligação aos territórios e a representação individual é crucial

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  • O texto aponta uma distância entre o parlamento e o país real, ligada ao funcionamento do sistema parlamentar e à desconexão com o interior, contribuindo para o crescimento do populismo.
  • O sistema de listas fechadas e a disciplina de voto concentram o poder nas direções partidárias, tornando a representação formal e limitando a autonomia dos deputados.
  • A perceção pública de política é de um sistema fechado, com pouca diferenciação entre quadros e pouca capacidade de deliberação plural no Parlamento.
  • A centralização em Lisboa acentua as assimetrias territoriais, com problemas como encerramento de maternidades, fragilidade de serviços públicos e redução de ensino superior no interior.
  • Para restaurar a legitimidade democrática, defende-se reforçar a ligação Parlamento-territórios, valorizar a representação individual e recentrar a coesão territorial.

A publicação analisa a distância entre o Parlamento e o país real, destacando fatores que ajudam a explicar o crescimento do populismo. O foco é o funcionamento do sistema parlamentar e a sua relação com territórios, sobretudo no interior.

O autor afirma que as listas fechadas concentram o poder de seleção nos partidos, desviando a relação entre eleitos e eleitores. A disciplina de voto reforça a autonomia limitada dos deputados e favorece um Parlamento de vontades partidárias.

A crítica aponta uma representação formal, mais do que substancial, com percursos parlamentares uniformizados. O resultado é uma elite política que não se renova facilmente.

Contexto

O texto sustenta que o sistema endogâmico afeta a perceção pública da política. A previsibilidade dos comportamentos e a pouca diferenciação entre deputados alimentam a ideia de um sistema fechado.

Não se trata de uma crise pontual, mas de um défice estrutural de representação. O populismo é visto como resposta a um bloqueio institucional sentido por parte da sociedade.

A distância entre o sistema político e o interior do país é destacada como fator central. Lisboa concentra a vida política, mediática e decisiva, enquanto muitas regiões sentem prioridades legislativas afastadas.

Impacto no território

O artigo aponta o encerramento de maternidades e tribunais, a vulnerabilidade de universidades do interior e a fragilização de serviços públicos. Estas situações são interpretadas como evidências de desvalorização política no interior.

Em comparação com outros sistemas europeus, Portugal é descrito como centralista, com menos mecanismos de proximidade ou autonomia regional que mitiguem a distância entre território e decisão.

Propostas para a recuperação

O texto defende reforçar a ligação entre o Parlamento e os territórios. Valorizar a representação individual e recentrar a coesão territorial são apontadas como condições essenciais para restaurar a legitimidade democrática.

A ideia é tornar o Parlamento mais responsivo às necessidades locais, buscando uma agenda que inclua prioridades do interior e promova uma participação cívica mais robusta.

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