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Sondagens e pesquisas de opinião: o dever de informar o público

Tracking polls não definem o voto: ajudam a informar, exigindo leitura crítica e responsabilidade editorial na divulgação

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  • As tracking polls ganham espaço ao acompanhar mudanças rápidas na opinião pública, gerando debates sobre se criam narrativas diárias ou condicionam o voto, especialmente quando as diferenças entre candidaturas são pequenas.
  • Uma sondagem é apenas um retrato do momento, com incerteza mensurável; uma tracking poll repete esse retrato com maior cadência para acompanhar variações.
  • A responsabilidade editorial recai sobre os meios que publicam, que optaram por acompanhar a opinião pública de forma regular, em vez de depender apenas de estudos pontuais ou externos.
  • Nas Legislativas de 2022, a Pitagórica teve o menor desvio médio face ao resultado, com o PS a vencer a maioria absoluta; houve um dia em que o PSD apareceu na frente, mas o panorama voltou a refletir a vitória socialista.
  • A prática de tracking polls é comum internacionalmente (exemplos no Canadá, Estados Unidos, Israel e Catalunha) e não substitui o voto, servindo para entender o momento e orientar o debate público.

Há campanhas em que as sondagens passam quase despercebidas. E há outras em que se tornam o tema. As tracking polls, publicadas com maior frequência, são acusadas de inventar factos, manipular perceções ou condicionar o voto.

O problema surge quando se discute a existência da ferramenta como causa de fenómenos políticos que a própria sondagem apenas observa. Fragmentação, indecisão, voto estratégico e volatilidade antecedem a medição.

Uma sondagem não é profecia. É um retrato do momento, com incerteza mensurável. Tracking polls repetem o retrato para acompanhar mudanças rápidas na opinião pública, ou a percepção de rapidez dessas mudanças.

A narrativa diária tenta transformar números em história. Em cenários fragmentados, pequenas diferenças não significam decisões reais. Interpretações com intervalos sobrepostos podem soar como conclusões firmes.

Nesta campanha, convém sublinhar que a tracking poll não é capricho de um instituto. A Pitagórica é o instituto, mas a decisão de publicar séries de alta cadência cabe aos meios que o fazem.

TVI/CNN Portugal, Jornal de Notícias e TSF escolheram disponibilizar dados regulares. Assumiram custo editorial e responsabilidade na explicação das informações, como parte de informar o público.

Se houve uma crítica de que uma fonte acabou por “condicionar” a opinião pública, o foco deve ser a ausência de outras perspetivas. Pergunta correta: por que outras fontes estiveram ausentes?

Se a preocupação é democrática, faz mais sentido discutir incentivos para diversidade de medições públicas do que punir quem investiu em dados acessíveis a todos.

Contexto internacional

Em 2022, um tracking em Portugal mostrou a evolução entre PSD e PS. Ao longo de quinze dias, o PSD liderou apenas num dia, interpretado por alguns como falha. Os dias seguintes voltaram a posicionar o PS com vantagem.

A Pitagórica teve o menor desvio médio face ao resultado eleitoral e aproximou-se do resultado final do PS. A projeção de mandatos chegou a 115, com 117 no final.

Tracking polls não são exclusividade portuguesa. No Canadá, a Nanos publica dados com parceiros mediáticos. Nos EUA, Rasmussen usa o Daily Presidential Tracking. Em Israel, o Channel 14 executa trackings.

Mesmo em campanhas nacionais, a prática é comum em muitos países onde dados contínuos ajudam a aferir tendências, ainda que nem sempre cheguem ao espaço mediático.

Perspetiva portuguesa

Em Portugal, a ideia não é nova: quase há duas décadas que partidos recorrem a estudos de acompanhamento para aferir tendências e ajustar mensagens. A novidade está na decisão editorial de tornar público esse acompanhamento.

Faltam menos de uma semana para as eleições. Restam apenas algumas publicações desta série. O foco deve permanecer nos candidatos, nas propostas e no debate político, não nas interpretações isoladas de uma variação pontual.

Os instrumentos ajudam a entender o momento, mas não substituem o voto nem o determinam. O termómetro mede a febre, não a causa dela.

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